Projeto quer reduzir pobreza através da biodiversidade

Conciliar o uso sustentável da biodiversidade com formas de reduzir a pobreza é o principal objetivo da Iniciativa Equatorial, lançada oficialmente na Europa hoje, durante um evento no British Museum, em Londres. A iniciativa é uma parceria de organizações nao governamentais (Ongs) e organismos internacionais, que visa influenciar a agenda ambiental mundial e políticas públicas nacionais. Foi consolidada no final do ultimo mês de janeiro, nos Estados Unidos, através de uma parceria entre o Programa das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento (PNUD), a Fundação das Nações Unidas (UNF), o Centro Internacional de Pesquisa e Desenvolvimento (IDRC) e o governo do Canada. Em um mês, conseguiu mobilizar mais três parceiros: o TV Trust for Environment (TVE), a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e a BrasilConnects, Ong de empresários brasileiros, nascida da Fundação Brasil+500, que organizou a Mostra do Redescobrimento.Durante o lançamento europeu, a Amazônia foi o principal exemplo a ilustrar as complexas relações entre biodiversidade e pobreza, que a Iniciativa Equatorial pretende transformar positivamente. Existem inúmeros esforços para chegar ao uso sustentável da floresta, com potencial para se transformarem em projetos relevantes, mas ainda isolados, desconhecidos e sem investimentos. ?Queremos incentivar um debate para a criação de uma agenda de sustentabilidade no Brasil, mas com brasilidade, não uma coisa pronta e acabada?, resume José Pascowitch, diretor de meio ambiente da BrasilConnects. A receita sugerida como ponto de partida para este debate por Eduardo Martins, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e atual consultor da BrasilConnects, seria: ?garantir a proteção integral de 20% da Amazônia em unidades de conservação intocáveis; outros 10% em florestas nacionais, onde fosse feita a exploração racional de madeira; mais 20% para comunidades indígenas e 10% de reservas de uso sustentável, como as reservas extrativistas?. E ele acrescenta: ?Ainda sobraria muita terra para agropecuária?. ?Além de influenciar as políticas públicas brasileiras, inserindo esta discussão na pauta nacional, achamos importante orientar os investimentos na Amazônia para as áreas já desmatadas, como forma de evitar novos desmatamentos, e mostrar aos empresários interessados em investir na Amazônia as possibilidades de criar cadeias de produção sustentáveis?, continua Martins. ?Estas cadeias produtivas sustentáveis devem ir além do manejo dos recursos naturais, com mais valor agregado aos produtos, com mais preparo gerencial dos recursos humanos e buscando, no mercado, pagamento justo pelo valor real destes produtos?, acrescenta Martins.A certificação da extração de madeira e a formação de grupos de compradores de madeira certificada, no mercado brasileiro, já mostra um caminho a seguir. ? Existem muitas outras iniciativas, em diversos outros países, que precisam sair do isolamento e serem multiplicadas e pretendemos fazer isso incentivando a comunicação entre comunidades e encorajando a discussão internacional sobre o assunto?, completa Sean Sothey, gerente da Iniciativa Equatorial no PNUD. /DivulgaçãoOrnamento corporal composto de pássaros inteiros, com plumagem preta e vermelha. Índios Tikuna, do rio Solimões.Para ele, a discussão sobre biodiversidade e pobreza não está suficientemente inserida, por exemplo, na agenda da Rio+10, a Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontece no final de agosto, em Johanesburgo, na África do Sul. A Iniciativa Equatorial pretende chamar a atenção para a questão, divulgando o trabalho das 5 comunidades vencedoras de um novo prêmio - no valor total de US$ 30 mil - estabelecido pelos parceiros. As inscrições para o prêmio estão abertas ate 5 de maio próximo.

Agencia Estado,

19 de março de 2002 | 19h16

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