Protegidas, jubartes dão show no mar da Bahia

Com o motor do barco desligado e todos em silêncio, em alto mar numa tarde de sol e calmaria, era possível ouvir o canto das baleias emergindo levemente. Momentos antes, um macho jovem, solitário e curioso, dava voltas em torno da embarcação, a uma distância menor que seus 10 metros de comprimento. Depois, o barco do Instituto Baleia Jubarte (IBJ) parou diante de um casal em plena corte.Um dia de "baleiada" com os pesquisadores, entre a costa baiana e o conjunto de ilhas do Banco de Abrolhos, equivale a um espetáculo de gigantes.O show de baleias desta temporada - que começou em julho e vai até novembro - é fruto de vários anos de pesquisa, educação ambiental e fiscalização."Há muito tempo não eram vistas tantas baleias no litoral da Bahia, sinal de que as ações de proteção, no Brasil e no mundo, têm funcionado", comenta a bióloga Márcia Engel, diretora do IBJ. A suspensão internacional da caça, desde 1986, e as medidas de proteção aplicadas pelo Ibama fizeram as jubartes se sentirem em casa nestes trópicos.E já é possível comemorar um pequeno aumento da população destes cetáceos, que chegaram a contar apenas 15 mil indivíduos no mundo, nos anos 1960, e ainda estão em todas as listas de espécies ameaçadas de extinção. "Hoje, calcula-se que a população de jubartes no Hemisfério Sul seja de 35 mil a 45 mil", diz a pesquisadora, ressalvando: "Não se sabe ao certo quantas existiam antes do auge da caça, mas estima-se que a população atual não passe de 25% do que se imagina que era".Turismo de observaçãoEstas estimativas referem-se às sete subpopulações de jubarte que vivem abaixo do Equador. É uma delas que migra para a costa brasileira, dando saltos estrondosos e batendo na água suas enormes nadadeiras dorsais, características desta espécie que chega a medir 16 metros de comprimento. A alegre reunião anual das jubartes no Brasil já conta com cerca de 4 mil indivíduos, segundo cálculos do IBJ. Em 2004, os pesquisadores avistaram 1.326 delas.A maioria (796) foi vista em Abrolhos, seu último reduto em tempos difíceis, mas as jubartes começaram a se espalhar um pouco pelo litoral da Bahia, alcançando parte do mar de Sergipe e avançando mais pela faixa do Espírito Santo. No norte baiano, a Praia do Forte virou ponto de saída de "baleiadas" científicas - 530 indivíduos foram avistados no ano passado - e turísticas. Em Salvador, o IBJ instalou um teodolito (instrumento ótico de precisão) num hotel da orla, de onde técnicos e hóspedes podem observar as baleias.O instituto quer implantar o turismo de observação na capital baiana, em Itacaré e Prado e consolidar as bases da Praia do Forte e Caravelas (sede do IBJ), tanto para gerar renda entre as populações do litoral - muitos dos seus antepassados viveram da caça à baleia - quanto para disciplinar o crescimento desta atividade.O whalewatching pode estimular a proteção às jubartes e ajudar a financiar mais pesquisas. Segundo Márcia, turistas que observam baleias movimentam cerca de US$ 1 bilhão anuais em 90 países.  leia também  Equipe estudará baleias ?brasileiras? na Antártida  

Agencia Estado,

05 de setembro de 2005 | 16h36

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