Proteína ajuda a completar árvore genealógica dos dinossauros

Lascas de proteínas dos ossos de umdinossauro de 68 milhões de anos e de uma carcaça de mastodonteconfirmaram seus lugares na árvore genealógica da Terra,disseram pesquisadores na quinta-feira. A mesma equipe que concluiu que o "Tyrannosaurus rex" foium parente distante das galinhas conseguiu agora preencheroutras lacunas, mostrando que os dinossauros têm muito maisparentesco com as atuais aves do que com os jacarés. Além disso, um mastodonte de meio milhão de anos érealmente parente próximo dos elefantes, de acordo com o relatode John Asara e seus colegas do Centro Médico Beth IsraelDeaconess e da Escola de Medicina de Harvard. Segundo eles, a análise das proteínas preservadas pode serusada para preencher todo tipo de lacuna na árvore evolutiva.Mas mostra também que os métodos clássicos, com base no estudode ossos e outras estruturas físicas, também são precisos. "Usando-se só dados moleculares pode-se chegar à mesmaconclusão", disse Asara por telefone. A equipe usou o colágeno retirado de uma descoberta notável--um fêmur de tiranossauro encravado numa pedra e quebrado pornão haver outra forma de ser retirado. Mary Schweitzer, da Universidade Estadual da Carolina doNorte, conseguiu obter o tecido macio e então a proteína doosso em 2005 -- algo até então considerado impossível. Elatambém obteve a proteína do osso de um mastodonte, muito maisjovem. Com a ajuda de um programa de computador que faz análisesmoleculares, a equipe de Asara havia estabelecido há um ano oparentesco entre as galinhas, avestruzes e tiranossauros, etambém a associação entre mastodontes e os mamíferos atuais. "No ano passado, fizemos uma associação muito vaga com basena identificação da sequência da proteína, e não tínhamosrépteis. E agora com altíssima probabilidade podemosestabelecer a conexão entre o 'T. rex' e as aves", explicou ocientista. Segundo ele, alguns dos softwares usados levam dias pararodar, mas os cientistas vão continuar procurando novasamostras. "Não dá para apenas pegar as coisas nos museus",disse Asara, pois nessas peças as proteínas já se degradaram. Em setembro, um pesquisador da Universidade Estadual daPensilvânia relatou que sua equipe havia extraído o DNA detufos do pêlo de mamutes siberianos com 50 mil anos de idade. Também na quinta-feira, cientistas da Universidade deBerkeley (Califórnia) anunciaram o uso de novos métodos dedatação de rochas para apontar uma data ainda mais precisa paraa extinção dos dinossauros. A melhora desse método de datação chamado "argônio-argônio"coloca a fronteira entre o Cretácio e o Terciário em 66.95milhões de anos atrás, com margem de erro de 40 mil anos.Estimativas anteriores eram de 65,5 milhões de anos, com margemde erro de 300 mil anos.

MAGGIE FOX, REUTERS

24 de abril de 2008 | 22h28

Tudo o que sabemos sobre:
CIENCIAPROTEINADINOSSAURO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.