Proteína desliga os ‘neurônios da fome’

Enzima chamada O-GlcNAcé responsável por ativar o canal de potássio que existe no neurônio

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

14 Março 2015 | 18h48

O jejum e a ativação direta dos “neurônios da fome” aumentam a proporção de gordura branca e os cientistas da Universidade Yale tiveram, então, a ideia de reverter o processo.

Mas, antes disso, foi preciso descobrir qual o mecanismo responsável pela ativação natural dos neurônios durante o jejum. Os pesquisadores mostraram que, quando os níveis de açúcar do sangue são reduzidos pelo jejum, uma enzima chamada O-GlcNAc adiciona uma molécula de glicose no canal de potássio que existe na membrana do neurônio, ativando-o.

Eles criaram então um camundongo transgênico, no qual tal enzima foi “desligada”. “No animal que não tem a enzima, os neurônios AgRP ficam permanentemente inativos. Com isso, o animal gasta mais energia, produz mais calor, acumula menos gordura e emagrece – mesmo quando submetido a uma dieta calórica que deveria levar à obesidade”, explicou o pesquisador Marcelo Dietrich.

A descoberta do mecanismo cerebral pode agora inspirar o desenvolvimento de métodos capazes de interferir na promoção do “escurecimento” da gordura para combater a obesidade, segundo ele. Mas ainda há muito o que pesquisar. “O experimento foi feito em camundongos, mas, se esses mecanismos forem conservados em humanos, podemos usá-los para combater a obesidade. Agora que encontramos a proteína responsável por desligar os neurônios da fome, podemos buscar o desenvolvimento de fármacos capazes de inibi-la”, disse Dietrich.

Para chegar a esse ponto, porém, será preciso inibir exclusivamente a proteína que ativa os neurônios AgRP e, segundo Dietrich, as ferramentas farmacológicas existentes ainda não são sofisticadas o bastante para tarefas tão específicas. “Achamos o palheiro. Agora, temos de procurar a agulha.” Liderado por Xiaoyong Yang, de Yale, o estudo também teve participação do brasileiro Marcelo Zimmer, aluno de doutorado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde Dietrich também atua como pesquisador. 

Mais conteúdo sobre:
ciência dieta

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.