Protestos esperam navio carregado de urânio no Rio

Grupos ambientalistas prometem protestar amanhã contra a chegada do navio dinamarquês Jens Nu Munk ao Porto do Rio, na Baía de Guanabara, com uma carga de 41,9 toneladas de urânio enriquecido e 113 toneladas de concentrado de urânio. O desembarque está previsto para a madrugada de hoje, sob responsabilidade da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB).O Greenpeace, convidado por organizações não-governamentais do Rio, decidiu hoje cancelar sua participação no ato, portemer que a manifestação ?termine em confronto?.?Havíamos programado um protesto, mas sindicalistas da INB foram convocados para uma contra-ofensiva no mesmo local ehorário. A gente não vai entrar nesse confronto. Nossa forma de luta é pacífica, não quero sair no braço com ninguém?, afirmou ocoordenador da Campanha de Energia do Greenpeace, Sérgio Dialetachi. A estatal nega ter convocado sindicalistas.O responsável pela área de Comunicação Corporativa da INB, João Manoel Gonçalves Barbosa, admitiu ontem que não existe uma licença ambiental específica para o transporte marítimo da carga, como afirmara ao Estado na terça-feira. Na ocasião, ele apresentou licenças para o transporte terrestre ? a carga será levada do porto até Resende, a 170 quilômetros do Rio, onde fica a fábrica de combustível nuclear da estatal ? e prometeu enviar outros documentos no dia seguinte. ?Se eu falei isso, falei errado. Hoje, estou mais a par dessa história. Não existe licença para o transporte internacional de urânio. O que existe é um navio adequado para o tipo de carga que leva?, declarou.Procurado pela reportagem, o Ibama informou que o ?transporte de urânio enriquecido em águas brasileiras foi devidamentelicenciado e atende às normas da Agência Internacional de Energia Atômica?. No entanto, as licenças de operação 368/2004 e366/2004 citam apenas o transporte terrestre da carga. De acordo com a assessoria de imprensa do instituto, elas ?servem paraas duas coisas - terra e mar?.O coordenador do Greenpeace afirmou que a marinha britânica identificou problemas de segurança no navio dinamarquês emoutubro e novembro. ?Ele foi retido por falta de coletes salva-vidas, cartas náuticas, diário de bordo do piloto e detalhamento da rota, dentre outras falhas.? A Marinha do Brasil divulgou nota ontem informando que, antes do descarregamento dos quatrocontêineres de urânio no Rio, a Capitania dos Portos fará uma inspeção no navio para ?verificar os aspectos de acondicionamento do material, dos planos para aplicar em caso de emergência, do adestramento da tripulação em caso de sinistro e a sinalização da carga?. ?É uma inspeção anunciada. Eu nunca vi isso?, disse o coordenador do Greenpeace.Além das 41,9 toneladas de urânio enriquecido importadas da Holanda, o navio traz 113 toneladas de concentrado de urânio,uma pasta conhecida como ?yelloow cake?, com potencial radioativo de cerca de 0,7% ? o urânio enriquecido tem potencial de cerca de 4%. Produzida na cidade de Caetité, no sudoeste da Bahia, a 757 quilômetros de Salvador, a carga será levada para oCanadá. Na segunda-feira, o embarque das 113 toneladas no navio gerou polêmica com o Ibama da Bahia.?Mais uma vez, autoridades, portuários, moradores e turistas não foram sequer informados e estarão expostos a uma situaçãode risco sem que tenham direito a dar sua opinião?, afirmou o presidente da ong Instituto Brasileiro de Voluntários Ambientais, Vilmar Berna, um dos organizadores do protesto. Segundo ele, o ato será pacífico.

Agencia Estado,

22 de janeiro de 2004 | 19h26

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