Punição coordenada sustenta cooperação humana, indica estudo

A pesquisa buscou criar modelo para entender como a cooperação se mantém em grupos grandes

30 Abril 2010 | 18h55

Pesquisa realizada pelo antropólogo Robert Boyd da Universidade da Califórnia em Los Angeles e colegas do Instituto santa Fé, do Novo México, indica que a cooperação entre seres humanos em grandes grupos é sustentada pela punição. A descoberta põe em dúvida teorias de que a punição é sempre um fenômeno não coordenado e incondicional. O trabalho de Boyd é descrito na edição desta semana da revista Science.

 

A pesquisa buscou entender como a cooperação se mantém em grupos grandes, onde os membros não são todos unidos por laços de família, amizade ou reciprocidade. A partir de um certo tamanho, todos os membros desfrutam dos benefícios de fazer parte do grupo, mesmo os que param de cooperar - um sonegador de impostos continua a contar com a proteção da polícia caso sofra violência, por exemplo.

 

Membros que desfrutam do grupo sem colaborar com ele são chamados de" free-riders", ou "aproveitadores". Em teoria, o mau exemplo dos aproveitadores poderia levar todos os membros do grupo a parar de colaborar, o que traria o fim dos benefícios comuns e o colapso do grupo.

Para explicar por que isso não acontece, Boyd e colegas sugeriram que a cooperação é mantida por punição, que reduz os benefícios para os aproveitadores. Há tribos, por exemplo, onde os homens que se recusam a ir para a guerra são proibidos de se casar.

 

Modelos teóricos anteriores de cooperação presumiam que a punição de aproveitadores era não coordenada e incondicional: o agente prejudicado pelo aproveitador executa a punição por conta própria. Um problema com essa suposição é que os custos associados à aplicação da punição podiam acabar sendo maiores que os ganhos da cooperação.

 

Para tratar o problema, Boyd e colegas mudaram a suposição, permitindo que a punição fosse coordenada entre os membros do grupo. No novo modelo, os membros poderiam indicar a intenção de punir um aproveitador, mas apenas executar a punição caso houvesse uma coordenação. Isso significaria que o custo seria diluído entre todos.

 

Além disso, o modelo passou a permitir que o custo de punir o aproveitador caísse à medida que o número de punidores aumentava. Boyd disse, em nota, que o novo modelo está "correndo atrás do bom senso", porque ambas as circunstâncias existem na realidade.

 

O modelo resultante se aproxima bastante do que ocorre na maioria das sociedades humanas, dizem os autores. Boyd argumenta que mesmo em sociedades sem instituições formais, a punição por grupo é um meio efetivo de sustentar a cooperação.

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