Punir os que quebram regras é um prazer

Um estudo publicado na Revista Science apontou que as pessoas têm satisfação em punir aqueles que quebram regras mesmo que isso signifique perder dinheiro com a ação. A equipe liderada por Dominique de Quervain da Universidade de Zurique captou imagens do cérebro de 15 voluntários homens em um aparelho de tomografia por emissão de pósitrons (PET). Jogo Os pesquisadores propuseram um jogo aos voluntários. O jogador A podia dar todo o seu dinheiro ou parte dele para o jogador B, que, por sua vez, podia devolver parte ou todo o montante para A. Se o jogador A desse todo seu dinheiro para B, o dinheiro dado a B era multiplicado por quatro e A podia levar uma parte da bolada. Resumindo: se A tiver R$ 10 e dá-los a B, este receberá R$ 40 e poderá devolver parte a A. Obviamente nessa situação, ambos saem sempre ganhando a não ser que B resolva não dividir seu ganho com A. Caso isso acontecesse A poderia punir B tirando dele pontos imaginários ou dinheiro real, mas também perdia pontos ou dinheiro. "Escaneamos o cérebro deles quando descobriam que haviam sofrido um abuso de confiança e determinavam a punição", explicam os pesquisadores no artigo. O resultado foi a ativação do stratium dorsal, área relacionada à satisfação. "Em vez da razão fria e calculista, pode ser que a paixão plante as sementes da vingança", disse o psicólogo Brian Knutson, da Universidade da Califórnia, em um artigo também na Science que acompanha o trabalho científico. Emoção e dinheiro O estudo mostrou também que voluntários com maior ativação na área do stratium dorsal estavam mais dispostos a pagar um custo maior para aplicar a punição. "Uma interpretação para isso é que uma punição maior podia induzir sensações mais fortes de prazer", explicam os pesquisadores. O próximo passo será determinar a diferença entre o comportamento de homens e mulheres. "Pesquisas futuras certamente terão de explorar quais interações sociais motivam mais homens e mulheres, assim como membros de diferentes grupos sociais", diz Knuston.

Agencia Estado,

26 de setembro de 2004 | 12h44

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