Putin manda Protocolo de Kyoto ao parlamento

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, apresentou nesta quinta-feira à Duma (equivalente à Câmara dos Deputados) o projeto de ratificação do Protocolo de Kyoto, o tratado internacional que estabelece exigências e metas para a redução das emissões de gases causadores do aquecimento global.O envio foi acompanhado por um sinal bastante positivo por parte do governo russo. O vice-primeiro-ministro, Alexandr Zhukov, afirmou que a aplicação do acordo será benéfica para a Rússia e que o projeto poderá ser aprovado pela Duma ainda neste mês.Se isso ocorrer, o projeto passará pelo Conselho da Federação (equivalente ao Senado). Caso seja aprovada, a ratificação deve acontecer antes do fim do ano. O Protocolo de Kyoto entraria em vigor em até 90 dias após a adesão efetiva da Rússia.Zhukov reforçou a posição do governo contra as críticas ao Protocolo de Kyoto - existentes dentro do próprio gabinete -, afirmando que a economia russa não terá seu crescimento afetado pelo controle da atividade industrial, um dos meios para a redução de emissões.Ele garantiu, de qualquer forma, que a Rússia deve negociar alguns termos do protocolo depois de 2012, prazo estabelecido para que os países relacionados reduzam as emissões a uma taxa média 5,2% menor do que a registrada em 1990.Em coletiva na manhã desta quinta-feira em Moscou, Zhukov admitiu que há fortes resistências à adesão ao tratado . "Os debates na Duma serão duros... Mas acho que o resultado será positivo", afirmou.Sem a adesão da Rússia, o Protocolo de Kyoto não pode entrar em vigor, por causa da posição dos Estados Unidos, contrários ao tratado. Para vigorar, o pacto precisa ser ratificado por países que representavam em 1990 pelo menos 55% das emissões globais 1990.Os EUA são os maiores emissores de gases, respondendo por 36,1% do total mundial. A Rússia, o terceiro maior emissor - depois da China, que atingiu a casa dos 18% das emissões globais -, seria o único país capaz de se juntar aos 125 que já ratificaram o protocolo, fazendo atingir o índice mínimo.

Agencia Estado,

07 de outubro de 2004 | 13h39

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