Puxar fita adesiva no vácuo gera raios-X, mostra experimento

Descoberta pode ser usada para a construção de aparelhos médicos de baixo custo; não há perigo para a saúde

AP

22 de outubro de 2008 | 16h31

Apenas duas semanas depois que o prêmio Nobel destacou um trabalho teórico sobre partículas subatômicas, físicos anunciaram uma descoberta sobre uma forma muito mais familiar de matéria: fita adesiva.  Acontece que se você desgruda o popular adesivo de seu rolo em uma câmara de vácuo, ele emite raios-X. Os pesquisadores fizeram até mesmo uma imagem em raio-X de seus dedos.  Quem imaginaria? Mais de 50 anos atrás, alguns cientistas russos relataram evidências de raios-X ao tirar um pedaço de fita adesiva de vidro. Mas o novo trabalho mostra que você pode conseguir muitos raios-X, disse o co-autor do estudo.  "Estamos muito surpresos", disse Juan Escobar. "A energia que pudemos conseguir apenas desenrolando a fita adesiva foi enorme." Escobar, um estudante de graduação da Universidade da Califórnia, apresenta o trabalho junto com seus colegas na última edição da revista Nature.  Ele sugere que, com alguns refinamentos, o processo pode fornecer aparelhos médicos de raios-X a baixo custo ou para lugares onde a eletricidade seja cara ou difícil de obter. Afinal de contas, nessas máquinas você poderia desenrolar um rolo de fita adesiva apenas com a força humana.  Os pesquisadores e a UCLA se inscreveram para patentear tais instrumentos.  No novo trabalho, uma máquina desenrolou um rolo de fita adesiva comum a três centímetros por segundo em uma câmara de vácuo. Rápidos pulsos de raios-X emergiram das proximidades do ponto onde a fita saía do rolo.  É lá que os elétrons pulam do rolo para a parte adesiva da fita que estava sendo puxada. Quando os elétrons grudam na fita, eles diminuem sua velocidade, e essa diminuição emite raios-X.  Então, desenrolar fitas adesivas é um perigo para a saúde? Escobar afirma que não, porque os raios-X não são produzidos na presença de ar.

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