Qualidade ambiental requer US$ 1 bilhão/ano

O Brasil precisa de investimentos de U$S 1 bilhão por ano em modernização nas 10 mil maiores indústrias instaladas no País, durante dez anos, para melhorar a qualidade ambiental do parque industrial nacional.A avaliação é do presidente do Instituto Ambiental Biosfera, Dorival Correia Bruni, que coordenou o 1º Simpósio e Exposição Internacional sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável em Municípios Industriais, ocorrido entre segunda-feira e esta quarta-feira, em Paulínia.Centro de prevenção de desastresA criação de um Centro Nacional de Prevenção e Remediação de Desastre Ambientais foi a principal medida prática resultante do evento. A cidade-sede, que pretende repeti-lo bienalmente, disponibilizou um terreno para abrigar o centro, orçado em R$ 60 milhões mais R$ 2 milhões anuais de manutenção.Os custos seriam divididos por cotistas da Fundação que o manterá, conforme Bruni. A proposta é um dos 26 itens da Carta de Paulínia, documento produzido a partir dos debates do encontro que será distribuído às prefeituras do País, governos estaduais, entidades ambientais e outros interessados.DegradaçãoParticiparam do evento em Paulínia representantes de 20 países, 180 indústrias, principalmente de São Paulo, e 250 cidades brasileiras. O presidente da Biosfera apontou que vários fatores contribuem para a degradação ambiental do Brasil.Citou o sistema ?primitivo? de monitoramento, a corrupção dos fiscais, a falta de capacitação técnica de órgãos responsáveis pelo controle da poluição e a legislação ?elástica?. ?Das multas aplicadas às indústrias por órgãos de controle ambiental, 70% não são pagas?, disse.Decisões políticasBruni afirmou ainda que os Estudos de Impacto Ambiental estão atrelados a decisões políticas. ?Poucos prefeitos se importam com poluição. Eles estão mais interessados no número de empregos que a fábrica irá gerar e nos tributos?, comentou. Segundo o coordenador do evento em Paulínia, seria necessária uma legislação específica para garantir avanços no setor.A Biosfera promoveu uma pesquisa, há dois anos, e constatou que 350 cidades industriais do Brasil são responsáveis por 90% do PIB nacional, sendo que 80% delas estão instaladas em São Paulo. ?É dever dessas empresas investir em prevenção a desastres ambientais?, alegou.TreinamentoEsta será uma das funções do centro, que vai treinar e capacitar funcionários de indústrias e órgãos públicos para prevenir e remediar acidentes. De acordo com Bruni, o evento em Paulínia cumpriu a função de mobilizar representantes das indústrias, sociedade civil, organizações ambientais e poder público sobre a importância da prevenção, além de otimizar a relação entre esses setores. ?Prevenir é muito mais barato que remediar, o que acaba desgastando a imagem da empresa?, argumentou.Segundo os organizadores, cinco mil pessoas participaram do evento nos quatro dias. O encontro custou R$ 1,4 milhão, dos quais R$ 1 milhão foi custeado pela prefeitura de Paulínia.FundoPara o secretário municipal de Meio Ambiente, Washington Carlos Ribeiro Soares, outro ponto positivo destacado na Carta de Paulínia é a sugestão para criação de um Fundo Nacional para Desastres Ecológicos, que poderá ser acionado pelos municípios em casos de emergência.PaulíniaSoares disse desconhecer relatório da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, Cetesb, que aponta 11 pontos de poluição em Paulínia. Ele citou apenas o antigo terreno da Shell Química e o da Nutriplant. Mas não reconheceu a contaminação de um aterro municipal, desativado há dois anos, constatada em laudos contratados pela Câmara Municipal. ?Ainda não li o relatório da Câmara?, desconversou.O secretário comentou que a prefeitura vai encomendar um diagnóstico no terreno da Shell, que custará R$ 2 milhões, pagos pelo município. Serão avaliados 950 pontos. ?Com isso esperamos ter um diagnóstico preciso do que ocorre no local?, contou.

Agencia Estado,

23 de maio de 2002 | 19h08

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