Questão populacional fica à margem do debate do clima

Cientistas acresditam que diminuir crescimento populacional tornaria a luta contra o aquecimento mais fácil

AP

12 de dezembro de 2008 | 16h13

Poucos duvidam que o crescimento da população mundial contribua para aumentar as emissões de carbono. Mas, nas conversas da reunião do clima de Poznan, os planos giram em torno de metas de redução de emissão e projetos de energia renovável. Estabilizar a população não foi nem colocado em discussão.  Veja também: Tuvalu pede ajuda para não desaparecer no oceano PacíficoMéxico promete corte de 50% nas emissões de CO2 até 2050ONU deve convocar cúpula do clima para setembro em NYBrasil é exemplo de economia verde, diz Ban Ki-moonMinc anuncia ação para fomentar tecnologia verdeAndrei Netto fala sobre a reunião de Poznan  Andrei Netto fala sobre a reunião de Poznan (2)  Andrei Netto fala sobre a reunião de Poznan (3)  Andrei Netto fala sobre a reunião de Poznan (4)  Brasil fica em 8º lugar em índice de mudança climáticaEntenda a reunião sobre clima da ONU na Polônia Quiz: você tem uma vida sustentável?  Evolução das emissões de carbono    "A população é o elefante na sala de estar, de que ninguém fala quando o assunto é mudança climática", disse Bill Ryerson, presidente e fundador do Population Media Center. Representantes da ONU acreditam que tentar passar qualquer tipo de medida de controle de crescimento da população pode minar as já difíceis negociações climáticas. Os países em desenvolvimento se oporiam ao envolvimento da questão da população no clima, pois isso os faria responsáveis por um problema que eles acreditam ser culpa dos países desenvolvidos. O Vaticano, juntamente com países católicos e muçulmanos, se opõe com medo que medidas de controle populacional aumentem o apoio ao aborto e aos métodos anticoncepcionais.  "Muitas pessoas dizem que a pressão populacional é uma das grandes forças por trás do aumento das emissões e isso é absolutamente verdadeiro", disse o Secretário Geral de Mudança Climática da ONU, Yvo de Boer. "Mas para então dizer 'certo, isso significa que precisamos de políticas de controle populacional para diminuir as emissões', acaba levando a um terreno moralmente complicado." Com a população mundial devendo atingir 9 bilhões até 2050 - três vezes o seu tamanho em 1960 - pesquisadores argumentam que diminuir o ritmo de crescimento populacional tornaria a luta contra o aquecimento mais fácil.  Entender o papel que a população desempenha, eles alegam, também permitiria que países desenvolvessem políticas para reduzir suas emissões assim como proteger seus cidadãos do aumento do nível dos mares e outras conseqüências do aquecimento.  "Se não resolvermos a questão populacional e ela continuar a crescer da mesma maneira, não conseguiremos resolver o problema climático", disse.  Brian O'Neill, especialista em população do National Center for Atmospheric Research, disse que há evidências substanciais mostrando uma correlação entre o crescimento econômico de um país e o crescimento de suas emissões.  "Diminuir o crescimento populacional como pudermos vai reduzir substancialmente as emissões e fazer com que a sociedade consiga lidar melhor com a mudança climática", disse O'Neill. O'Neill e outros dizem também que não é só o número de pessoas que importa. Ele e seus colegas divulgaram resultados de pesquisas que mostraram que a urbanização na China e na Índia poderia resultar em um aumento nas emissões de até 70% até 2100, enquanto o envelhecimento nos Estados Unidos poderia contribuir apenas em 40% para sua diminuição.  No entanto, outros pesquisadores argumentam que usar uma abordagem populacional para a questão climática é limitado e levaria a medidas populacionais coercitivas, como as chinesas.  "Os países que têm crescimento populacional relativamente alto, como a África, são os que tem as menores taxas de emissão", disse Betsy Hartmann, do Hampshire College. "Realmente não faz sentido pensar que reduzir o tamanho das famílias vá reduzir o aquecimento global. O tamanho das famílias já está diminuindo." Rajendra Pachauri, do Painel Intergovernamental de Mudança Climática da ONU, disse que a abordagem da questão populacional também deve considerar a taxa de consumo do país - uma referência ao fato das emissões da Índia serem 1/15 das dos Estados Unidos, e as Chinesas, 1/6.

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