Rabino acusa papa de cancelar diálogo entre judeus e católicos

Richetti fez acusações explicando porque judeus não participarão da tradicional Jornada sobre o Hebraísmo

Efe,

13 de janeiro de 2009 | 20h04

As relações entre os judeus e a Igreja Católica voltaram a sofrer nesta terça-feira, 13, um novo contratempo após as afirmações do rabino de Veneza (Itália), Elia Enrico Richetti, que afirmou que com Bento XVI a Igreja está cancelando os últimos 50 anos de história do diálogo entre judeus e católicos. Veja também: Fala de cardeal gera tensão entre Vaticano e Israel Richetti fez estas acusações contra o papa em uma nota enviada à revista mensal dos jesuítas italianos Popoli, na qual explica os motivos pelos quais os judeus não participarão da tradicional Jornada sobre o Hebraísmo, convocada pela Igreja da Itália para o próximo dia 17 de janeiro. O rabino de Veneza criticou a decisão de Bento XVI de recuperar o missal anterior ao Concílio Vaticano II, que inclui a famosa prece da Sexta-Feira Santa dos católicos para a conversão dos judeus. O rabino disse em sua nota que as justificativas dadas pelo Vaticano não são suficientes e que por isto é "lógica" a interrupção da colaboração entre os judeus italianos e a Igreja Católica local. Após ficar sabendo das declarações de Richetti, o rabino chefe de Roma, Riccardo Di Segni, afirmou hoje que o diálogo entre judeus e cristãos é "um processo difícil e necessário, que é necessário ser mantido apesar das dificuldades". No dia 18 de novembro, o rabino Giuseppe Laras, presidente da Assembléia Rabínica Italiana, anunciou que os judeus italianos não celebrarão com os católicos, no dia 17 de janeiro, a "Jornada do Hebraísmo", pois ainda não há um acordo "satisfatório" sobre a prece que os católicos rezam na Sexta-Feira Santa seguindo o ritual pré-conciliar. A polêmica sobre a prece pelos judeus da Sexta-Feira Santa surgiu depois que em julho de 2007 o papa Bento XVI liberou a celebração da missa em latim, segundo o rito existente antes do Concílio Vaticano II. Neste missal, o Missale Romanum, os judeus eram qualificados de "pérfidos" e se incluía a "prece da Sexta-Feira Santa", na qual os católicos pediam que os judeus se convertessem ao cristianismo. Nesta oração se pedia a Deus para que eliminasse "a cegueira deste povo, para que, reconhecida a verdade de sua luz, que é o Cristo, saiam das trevas". Embora João XXIII tenha eliminado daquele missal a expressão "pérfidos", se manteve a prece da Sexta-Feira Santa.

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