Rabino sepulta preces colocadas no Muro das Lamentações

Operação acontece duas vezes por ano: antes do festival da Páscoa judaica e no ano novo judeu

AP

15 de abril de 2008 | 19h15

Mexendo em pequenos vãos entre as antigas pedras do Muro Ocidental, ou Muro das Lamentações, na parte antiga de Jerusalém, um rabino e seus ajudantes removeram nesta terça-feira, 15, milhares de notas manuscritas colocadas onde os visitantes acreditam que seus pedidos encontrarão um atalho para Deus, depositados no local mais sagrado para o judaísmo.  A operação acontece duas vezes por ano: antes do festival da Páscoa judaica, que começa esta semana, e no ano novo judeu, que acontece no outono do hemisfério norte. O muro era parte do complexo do Monte do Tempo, onde ficavam os templos de Jerusalém nos tempos bíblicos. Destruído por invasores na Antigüidade, sua área agora abriga a mesquita Al-Aqsa. Judeus vêm rezar no Muro Ocidental há séculos, e outros reverenciam a santidade do local. Os visitantes VIP já incluíram o presidente norte-americano Bush e sua esposa Laura, os candidatos Hillary Clinton e John McCain, o ex-presidente russo Vladimir Putin e o papa João Paulo II.  "Milhões de pessoas colocam suas notas com pedidos aqui no Muro e nós os tiramos para que outras pessoas possam colocar suas notas também", disse o rabino do local, Shmuele Rabinowitz.  "Para que essas notas não se estraguem ou se percam, nós as guardamos de maneira adequada e respeitosa, enterrando-as no Monte das Oliveiras", do outro lado do vale da antiga Jerusalém.  Rabinowitz e um grupo de ajudantes puxaram os pedaços de papel das ranhuras utilizando palitos. As notas caíam no chão e eram colocadas em sacos plástico para, depois, serem transferidas ao antigo cemitério judeu.  A prática religiosa judaica proíbe a destruição de qualquer material escrito que inclua o nome de Deus, de maneira que livros da Torá antigos, livros de oração e outros artigos religiosos são enterrados. "Tratamos essas notas como sagradas, como algo que as pessoas escreveram para o criador", disse Rabinowitz. "Nós as tratamos de acordo com a lei judaica e colocamos as notas juntamente com escritos sagrados."  Ele disse que nem ele nem sua equipe lêem as notas. "É como uma oração, é uma expressão de um pedido de uma pessoa de seu coração ao criador", acrescentou.  Para aqueles que não conseguem ir ao muro pessoalmente, autoridades religiosas e postais entregam as notas que chegam pelo correio, e-mail ou SMS. Autoridades postais dizem que cartas, muitas vezes endereçadas simplesmente a Deus, vêm de todos os cantos do planeta, incluindo alguns países predominantemente islâmicos como a Indonésia.  Rabinowitz disse que o templo antigo, construído pelo rei Salomão, era encarado como uma casa de oração de todas as nações. "Deus prometeu que todas as preces colocadas aqui seriam ouvidas no céu, de judeus ou outras pessoas", disse. 

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