Radar não resolve enigma da água no pólo sul da Lua

Água poderá ser importante para futuras missões tripuladas, previstas para ocorrer entre 2015 e 2020

Carlos Orsi, do estadao.com.br,

27 de fevereiro de 2008 | 18h13

A Nasa apresentou nesta quarta-feira, 27, o mais detalhado mapa já feito da região da cratera Shackleton, no pólo sul da Lua. Mas as imagens, obtidas pelo radar  Goldstone, baseado no deserto de Mojave, nos EUA, não conseguiram dirimir a dúvida quanto à presença de água nessa área, tida como uma forte candidata para um futuro pouso de astronautas ou instalação de base lunar, ambos projetos que estão nos planos da agência espacial.   Água poderá ser importante para futuras missões tripuladas, reduzindo não só a massa de víveres quanto a de combustível que precisaria ser levada da Terra para abastecer um posto avançado - da água pode-se extrair hidrogênio, que é usado como combustível de foguete, além de oxigênio.   A "Visão para Exploração Espacial" anunciada pelo presidente dos EUA, George W. Bush, em 2004, pede um retorno de astronautas à Lua por períodos de permanência cada vez mais prolongados, começando a partir de 2015.   Nos anos 90, duas sondas orbitais, Clementine e Lunar Prospector, detectaram sinais que poderiam ser de água congelada na região de Shackleton. Em 2003 e, depois, em 2006, no entanto, o radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico, não foi capaz de confirmar a presença de massas de gelo na área. Já o sinal do radar Goldstone não penetrou fundo o suficiente na superfície lunar para eliminar a dúvida, de acordo com a Nasa.   Ao apresentar os resultados do Goldstone, no entanto, representantes da Nasa mantiveram-se otimistas quanto às perspectivas de usar Shackleton para uma futura base, adiando a palavra final sobre a ausência ou presença de água para a sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), que fará mapas 3D da superfície lunar e deverá ser lançada no final deste ano.   A agência espacial chegou a produzir uma animação mostrando como seria a visão de um astronauta pousando na vizinhança de Shackleton, a despeito de uma descoberta desanimadora feita pelo Goldstone - o terreno é mais acidentado do que supunha. "Mas há áreas planas no tamanho de um shopping center", disse o administrador-assistente da Nasa Doug Cooke, durante a entrevista coletiva que apresentou os resultados. "Temos a tecnologia para pousar lá".   Segundo Cooke, ainda não há dados suficientes para decidir onde a próxima missão tripulada americana à Lua descerá, mas as imagens do radar Goldstone "não nos afastam" de Shackleton. "Ainda é uma área muito interessante", disse.   As imagens do Goldstone têm uma definição de 20 a 40 metros por pixel, ou ponto. As da sonda Clementine, em comparação, eram da ordem de 1 km por ponto. "Depois de estar na Lua, esta imagem é a melhor coisa que há", disse o cientista que liderou o estudo, Scott Hensley, de acordo com nota divulgada pela Nasa.   A LRO deverá gerar imagens com definição de cinco metros por ponto.   Atualmente, Japão e China têm sondas em órbita da Lua: a japonesa Selene, lançada em setembro de 2007, e a chinesa Chang'e, que partiu em outubro do mesmo ano. Em nota, a Nasa afirma contar com cooperação da missão japonesa.

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