Rato de laboratório entra no clube do genoma

Eles dão nojo, provocam gritos histéricos e transmitem mais de 70 doenças para os seres humanos, mas são valiosíssimos nos laboratórios. Por isso, o rato passou a integrar o seleto clube dos mamíferos que tiveram seus genomas seqüenciados, ao lado de seus primos camundongos e dos humanos. O trabalho está sendo publicado na revista Nature e é resultado de um consórcio de vários centros de pesquisa, coordenados por Richard Gibbs, do Baylor College, do Texas.O rato tem cerca de 25 mil genes - o homem, cerca de 27 mil - e 90% deles têm correspondentes nos seres humanos. O rato compartilha com os camundongos 10% de genes que não estão presentes no ser humano e estão associados, por exemplo, ao olfato.Ter em mãos três genomas completos facilita muito a vida dos pesquisadores empenhados em descobrir o que diferencia ratos de camundongos e de seres humanos. "Se temos apenas duas coisas para comparar, não temos muitos meios de dizer o quão diferentes são. Mas com três isso muda", disse Gibbs, em entrevista ao Estado.A comparação dos três genomas, por exemplo, já apontou para cerca de 1 bilhão de bases de DNA comuns às três espécies e que contêm entre 94% e 95% de seus genes. É como se eles constituíssem uma identidade genética dos mamíferos. "Precisamos de mais genomas de outras espécies para ter uma definição melhor, mas não creio que vamos ter um resultado muito diferente", afirmou o pesquisador.Significa que somos - homens, ratos, camundongos, chimpanzés e por aí afora - algo como variações em torno dos mesmos genes. O que muda é como e quanto esses genes são usados em cada espécie. A publicação dos genomas do chimpanzé - em fase final de análise -, do cachorro, da vaca e do gambá vai ajudar a definir com mais clareza a herança comum aos mamíferos.

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