Recife usa método inédito com células-tronco

O policial militar Jaílson Monteiro, de 30 anos, submeteu-se no Hospital S.O.S. Mão, no Recife, a uma cirurgia com uso de células-tronco para reconstrução de nervos periféricos - método inédito no mundo, que foi desenvolvido pelo professor da Faculdade de Medicina da PUC do Rio Grande do Sul Jefferson Braga Silva.A expectativa é de que Jaílson recupere em pouco tempo o movimento do ombro, do braço e da mão esquerdos, afetados por lesões no nervo radial (no braço) e no plexo braquial (conjunto de nervos localizados no pescoço) sofridas em um acidente de moto em dezembro.A técnica foi usada pela primeira vez no Nordeste há oito dias, no mesmo hospital, quando o estudante Édson Tiago Xavier de Souza, de 18 anos, e o auxiliar de almoxarife Redivaldo José da Silva, de 37, se beneficiaram da cirurgia, que não apresenta risco de rejeição - as células-tronco utilizadas são retiradas da medula óssea do paciente -, e oferece uma recuperação muito mais rápida das funções do nervo afetado.A primeira cirurgia do gênero no mundo foi realizada em fevereiro, no Rio Grande do Sul, por Braga, especialista em cirurgia da mão e microcirurgia reconstrutiva, e conseguiu restabelecer a ligação de um nervo rompido na altura do antebraço de um paciente de 22 anos.A recuperação do movimento dos dedos se deu um mês e meio depois da cirurgia, quando pelo método tradicional seriam necessários pelo menos seis meses.Em Pernambuco, a técnica está sendo aplicada pelos médicos Rui Ferreira e Mauri Cortez. São Paulo será o próximo Estado a realizar cirurgia em nervos periféricos com células-tronco. Os dois especialistas pernambucanos serão os responsáveis pela intervenção, que deverá ocorrer em maio, no Hospital Especializado de Ribeirão Preto.Redivaldo José da Silva sofreu um corte no pulso direito, em um acidente de trabalho no dia 16 deste mês e se submeteu à cirurgia no dia 21, no SOS Mão. Na quinta-feira, quando foi refazer o curativo, afirmou que já sentia os dedos da mão direita que haviam ficado sem movimento.Ele se submete a sessões de fisioterapia e, otimista, espera poder voltar logo ao trabalho. Setenta por cento dos acidentes de trabalho comprometem a mão, segundo Cortez.   leia mais sobre células-tronco

Agencia Estado,

29 de abril de 2005 | 11h23

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