Regiões do cérebro de pássaros medem tempo de seus cantos

No cérebro do Diamante Mandarim há duas regiões importantes para produzir o canto

Efe

12 de novembro de 2008 | 20h13

Cientistas do Instituto Tecnológico de Massachusetts descobriram que regiões do cérebro do pássaro Diamante Mandarim (Taeniopygia guttata) são encarregadas de medir o tempo para entrar em compasso com o canto da ave. A breve composição musical desta pequena ave se compõe de uma série de sílabas muito estereotipada, portanto os cientistas costumam empregá-la como modelo para tentar entender como o cérebro produz seqüências complexas de ações, nas quais pode ser necessário um cálculo preciso do tempo. No cérebro do Diamante Mandarim, há duas regiões importantes para produzir o canto: o centro vocal superior e o núcleo robusto do arcopallium. A equipe de Michale Fee, investigador do Instituto McGovern para a pesquisa do Cérebro do MIT (Estados Unidos) e responsável do trabalho publicado hoje pela revista "Nature", pensou que esfriando especificamente estas regiões seria possível diminuir a atividade de uma ou outra e ver, assim, os efeitos sobre o canto detalhadamente. Para comprovar isso, tiveram que construir primeiro um pequeno aparelho, parecido com o que foi incorporado nas geladeiras portáteis, para diminuir em alguns graus a temperatura dessas zonas cerebrais. Eles observaram que, quando baixavam a temperatura do núcleo do arcopallium, os pássaros da espécie continuavam cantando da mesma forma, mas quando esfriavam o centro vocal superior, o canto durava proporcionalmente à diminuição da temperatura. Com a máxima redução de temperatura aplicada, de 10ºC, a duração das sílabas e o canto se alargavam até 30%. Um efeito, explicam os pesquisadores, similar ao que acontece quando se gira a manivela de um realejo: muda o tempo, mas não a estrutura rítmica da peça musical. Seguindo a analogia, o centro vocal superior corresponderia ao mecanismo que faz girar o cilindro, e o núcleo do arcopallium, que recebe a informação do centro vocal, seria o mecanismo que lê a partitura e a traduz em uma seqüência de notas. A pergunta que Fee e Michael Long, autor principal do trabalho, continuam fazendo é como se mede o tempo no centro vocal superior. Eles crêem que a maneira de fazê-lo é mantendo uma velocidade fixa de propagação da corrente elétrica através dos circuitos neuronais nessa região, uma hipótese que já começaram a testar. O aparelho desenvolvido para esfriar, diz Fee, pode servir para buscar as regiões do cérebro que estão por trás do controle do tempo em outro tipo de atividades e em outros animais, algo que até agora era difícil de realizar. Sabe-se que o centro vocal superior está relacionado em certo modo com o córtex humano, portanto, embora o estudo tenha sido feito com o pássaro, Fee não descarta que possa se tratar de um mecanismo muito geral para representar a passagem do tempo dentro do cérebro, incluindo o humano.

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