Rei saudita patrocina, na Espanha, diálogo entre religiões

Iniciativa tem sido considerada uma rara oportunidade de diálogo ou um golpe publicitário cínico

AP

15 de julho de 2008 | 18h25

Uma conferência patrocinada pela Arábia Saudita que vai reunir rabinos israelenses e norte-americanos com clérigos da seita islâmica wahhabi - assim como líderes religiosos do mundo todo de praticamente todas as práticas - é ou uma rara oportunidade de diálogo ou um golpe publicitário cínico. Tudo depende de para quem você pergunta.  Como qualquer diálogo que inclua judeus, muçulmanos, cristãos, hindus, budistas e representantes de diversas outras religiões, não há falta de opinião.  A abertura da conferência em Madri na quarta-feira, 16, é invenção do rei saudita Abdullah, que a lançou como uma forma de evitar tensões entre representantes das diversas religiões - parte de um esforço para reposicionar o país como uma força de moderação na religião.  "Haver um diálogo, só começar a conversar, já é uma realização em si", disse o embaixador saudita BinNaif Bin Abdulaziz Al-Saud. "Nesse ponto, o mundo todo precisa começar a dialogar. Isso é o que pretendemos alcançar." A Arábia Saudita apresentou a conferência como uma iniciativa estritamente religiosa, e não política. Mas ela também tem implicações políticas, vindo de um país do Oriente Médio que não tem laços diplomáticos com Israel.  Abdullah chamou atenção recentemente indo ao encontro de líderes de outras fés. Em novembro, ele se encontrou com o papa Bento XVI, o primeiro encontro entre um papa e um rei saudita.  Em um encontro de muçulmanos em junho, Abdullah disse que os islâmicos devem se afastar do perigo do extremismo e apresentar a "boa mensagem" do Islam para o mundo.  Seus esforços normalmente são bem vistos em Israel e pela comunidade islâmica, assim como no mundo árabe.  "A conferência oferece uma rara oportunidade para fortalecer o respeito entre os seguidores das três principais religiões", disse monsenhor Nabil Haddad, representante da comunidade católica da Jordânia.  Ainda assim, alguns dizem que os sauditas são as últimas pessoas que deveriam abrigar uma conferência sobre tolerância religiosa.  O wahhabismo - vertente do islamismo sunita praticado na Arábia Saudita - é considerado um dos setores mais conservadores da religião e a Arábia Saudita tem algumas vezes estreitado laços com outra grande vertente, os xiitas.  Observadores dizem que a conferência está acontecendo na Espanha, em parte, porque seria politicamente inaceitável para Abdullah permitir que judeus e católicos fossem ao país onde ficam dois dos locais mais sagrados para o islamismo.  Um dos principais nomes da conferência é David Rosen, rabino proeminente de Israel. Mas ele não está listado como israelense no programa do evento. Devido à sua dupla cidadania, ele é descrito como americano. "Praticamente falando, ele foi convidado como um estrangeiro e não como um israelense", disse o ministro das relações exteriores de Israel, Arye Mekel. "Se eles realmente quisessem algo significativo, eles deveriam ter convidado verdadeiros rabinos israelenses." Mina Fenton, porta-voz da Câmara Municipal de Jerusalém, disse que duvida das reais intenções dos sauditas. "Uma reunião como essa com a Arábia Saudita é claramente um truque político", disse. "Os sauditas estão usando a oportunidade para mentir para o ocidente dizendo que são tolerantes com não muçulmanos."

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