Relação dos terremotos com bombardeios é descartada

A série de terremotos, que desde a noite de segunda feira abala a região de Hindu Kush, a cerca de 160 km ao norte de Cabul, no Afeganistão, não está relacionada aos bombardeios norte-americanos. Em entrevista à Agência Estado, via Internet, o físico François Thouvenot, responsável pela Rede Sismalp, com sede em Grenoble, na França, afirmou que os abalos sísmicos no Afeganistão são acontecimentos naturais, produzidos a grandes profundidades e, por isso, não estão relacionados às bombas. Apenas tremores e acomodações de terreno superficiais poderiam, eventualmente, ser deflagrados pelos bombardeios. "Nesta região do mundo se produzem abalos sísmicos muito freqüentes e os dois últimos só provocaram grande interesse dos jornais, rádios e TVs porque o Afeganistão está em foco e porque ocorreram mortes", observou Thouvenot. A relação com os bombardeios chegou a ser divulgada por agências de notícias internacionais, no início do mês, quando se registrou um terremoto de 7,4 graus na escala Richter, na mesma região de Hindu Kush, atingida novamente nesta semana por um terremoto de 6,1 graus, com abalos menores entre 4,4 e 5 graus. No entanto, o epicentro do terremoto de 3 de março estava a 256km de profundidade e o atual a 33km, o que é uma evidência de que o fenômeno é natural, associado ao choque de placas tectônicas.Segundo o físico francês, estatisticamente se produz pelo menos um terremoto de magnitude 7 por mês, em todo o mundo, e os abalos de 6 graus ocorrem a cada 3 dias. A maioria, felizmente, a grandes profundidades ou sob os oceanos. Tremores secundários sempre se seguem a terremotos de grande magnitude, devido à acomodação do terreno.

Agencia Estado,

27 de março de 2002 | 09h29

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