Relator distingue entre aborto e pesquisa com embrião

Procurador-geral da República e Ives Gandra Martins falam em defesa da proibição

Da Redação,

05 de março de 2008 | 15h00

O relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) que pede a proibição do uso de embriões humanos em pesquisas de células-tronco no STF, ministro Carlos Ayres Britto, fez uma exposição dos dois lados da questão, e buscou diferenciar o estudo com embriões da prática do aborto. O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, tomou a palavra em seguida e reiterou o pedido de inconstitucionalidade das pesquisas.   Opine - Células-tronco embrionárias devem ser usadas em pesquisas?  VEJA TAMBÉM 75% dos brasileiros apóiam uso de células-tronco, diz Ibope STF julga se pesquisa com células-tronco é inconstitucional Advogados evitam apelo religioso no caso de pesquisa com embriões Artigo dos ministros José Gomes Temporão e Sergio Rezende Como se usam as células-tronco  Agora fala o jurista Ives Gandra Martins, em nome da CNBB. Gandra afirmou que a questão não envolve um conflito entre ciência e religião, e sim apenas questões de direito e ciência. Gandra citou estudos recentes sobre a reprogramação de células adultas para que atuem como células-tronco, um desenvolvimento científico recente.  O jurista atacou as visões de que a pessoa humana teria origem na formação no sistema nervoso central ou na implantação do embrião no útero. "A verdade é a que a vida começa no zigoto", afirmou. "Desde o ziogoto somos o que somos hoje: seres humanos".A sessão do Supremo está lotada, com fila de espera. Muita gente ficou de fora.  É possível que o julgamento não termine nesta quarta-feira, já que pode haver um pedido de vistas ao processo por parte de qualquer um dos 11 ministros do STF, o que paralisaria a ação. Segundo publicou o Estado de hoje, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito já teria avisado aos demais que pediria o adiamento. De acordo com a reportagem, a indicação desse magistrado ao STF teve apoio do representante diplomático do Vaticano do Brasil, d. Lorenzo Baldisseri. O Vaticano é forte opositor das pesquisas, já que a hierarquia católica acredita que o direito à vida tem início logo na concepção. Direito será o segundo ministro a votar, após  Britto, que manifestará sua posição após a fala dos advogados contra ou a favor da ação.

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