Relatório critica falta de sinergia e fragmentação nos Objetivos do Milênio

Análise foi publicada pela revista médica 'The Lancet', a cinco anos para vencimento de prazo fixado pela ONU

Efe

13 Setembro 2010 | 12h27

LONDRES - Os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, ou oito jeitos de mudar o mundo, estabelecidos pela ONU, sofrem de "fragmentação e falta de sinergia", particularmente os relacionados à saúde e à luta contra a Aids e outras doenças, segundo uma análise publicada no último domingo, 12, pela revista médica "The Lancet".

 

O estudo foi divulgado faltando pouco mais de uma semana para a cúpula da Organização das Nações Unidas (20 a 22 de setembro), que será realizada em Nova York, sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

 

A revista e o centro de desenvolvimento internacional de Londres (LIDC, na sigla em inglês) - uma associação de seis faculdades - analisam no relatório, "The Commission", os acertos e erros cometidos até o momento no caminho para a execução dos objetivos antes de 2015.

 

Faltam cinco anos para que vença o prazo fixado, em 2000, pela ONU para conseguir as oito metas estipuladas entre as quais estão erradicar ou reduzir a pobreza extrema, a fome e a mortalidade infantil.

 

Jeff Waage, diretor do LIDC e responsável pelo relatório, diz que os ODM alcançaram uma contribuição significativa ao desenvolvimento, mas poderiam ter conseguido mais "se estivessem mais integrados".

 

"Do ponto de vista, concluímos que os objetivos deveriam ser construídos sobre uma visão compartilhada do desenvolvimento e não sobre um bloco de objetivos de desenvolvimento independentes", acrescentou Waage.

 

Desta maneira, em alusão à primeira meta (ODM 1), erradicar a pobreza extrema e a fome, os autores dizem que a ONU não detalha o tipo de ação ou política que seria preciso implementar para gerar os resultados desejados.

 

Quanto ao segundo objetivo, conseguir uma educação básica de qualidade para todos, é possível observar um aumento no número de matrículas de menores em colégios nos países desenvolvidos, que passou de 83%, em 2000, para 88%, em 2007.

 

No entanto, os autores especificam que esse número "pode estar errado já que muitas crianças abandonam a escola em pouco tempo".

 

 

Se a ONU também se propõe a conseguir a igualdade de gêneros e a autonomia da mulher, o relatório lamenta a falta de liderança existente, particularmente, em relação aos direitos das mulheres.

 

Em relação ao quarto ODM, reduzir a mortalidade infantil, as estatísticas de países desenvolvidos mostram que, em nível global, a taxa de mortalidade para cada 100 mil crianças menores de cinco anos caiu de 103, em 1990, para 65, em 2008.

 

O relatório da "The Lancet" diz que esse progresso é "muito mais lento do que o mundo necessita" para conseguir alcançar o objetivo até 2015.

 

A melhoria da saúde materna, o quinto ODM, é o "menos bem-sucedido até o momento".

 

Quanto a luta contra o HIV/aids, a malária e outras doenças, apesar da incidência da aids ter alcançado seu "pico" antes de 2000, o número de mortes diminuiu.

 

Os analistas assinalam que, embora "a contribuição na redução da mortalidade e do número de pessoas doentes seja impressionante, não é possível determinar a contribuição do ODM 6 neste progresso mediante ao aumento de fundos e esforços".

 

A revista dá esperança sobre a meta de garantia de sustentabilidade ambiental, já que se "as tendências atuais continuarem até 2015, 86% da população em regiões desenvolvidas terá conseguido acesso a melhores recursos de água potável".

 

Por outro lado, o relatório critica que o objetivo de reduzir a taxa de perda da biodiversidade antes de 2010 não foi cumprido e está se acelerando.

 

"The Commission" mostra, além disso, que durante esse mesmo período as emissões de gases estufa continuaram aumentando.

 

Sobre o último Objetivo do Milênio, que pede uma associação mundial para o desenvolvimento, os especialistas afirmam que "o total de ajudas continua muito abaixo da meta da ONU de 0,7% da renda nacional bruta".

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