Remédio contra câncer pode evitar parto prematuro

Um remédio utilizado para tratar certos tipos de câncer também poderia servir para evitar partos prematuros, segundo afirma nesta segunda-feira o Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism.Uma equipe de especialistas da Universidade de Newcastle (Inglaterra) descobriu que o remédio Trichostatin A (TSA), que é usado no tratamento de câncer de intestino, mama, e pulmão, é capaz de controlar o nível de uma proteína receptora de hormônios que determina o momento do parto.Os cientistas analisaram o efeito do composto químico nos receptores, que se encontram nas células musculares do útero e que se vêem afetados pelo hormônio gonadotropina coriônica, ou HCG, que é segregada durante a gravidez.Durante o período de gestação, a placenta segrega grandes quantidades de HCG, que incitam os receptores situados nas células uterinas a produzir um relaxante muscular, que, por sua vez, previne as contrações. Um nível baixo desses receptores pode dar lugar a contrações e provocar o parto.As mulheres que dão à luz de forma prematura experimentam uma redução brusca do nível de receptores e são, portanto, menos sensíveis ao hormônio HCG.Os cientistas de Newcastle descobriram que o remédio TSA pode aumentar o número de receptores no tecido muscular do útero e querem, agora, realizar os testes clínicos que determinam se o TSA funciona em mulheres que vão dar à luz prematuramente."Muita gente pensa que os partos prematuros não representam um problema e se surpreenderiam ao descobrir que, inclusive em países desenvolvidos como o Reino Unido, cerca de 10% dos partos (60 mil bebês) se classificam como prematuros", assinala no artigo Nick Europe-Finner.Os remédios preventivos que são usados na atualidade são relativamente ineficazes e freqüentemente têm efeitos nocivos para as grávidas e seus bebês.Segundo o especialista, é "frustrante para médicos e grávidas que ainda não haja um tratamento eficaz, apesar de muitos bebês morrem ou padecerem de problemas mentais ou físicos por causa de um parto prematuro".Os pesquisadores têm agora dois desafios pela frente: ver se o remédio tem um efeito substancial na redução de contrações e comprovar que o novo tratamento não tem efeitos colaterais adversos para a mãe e o bebê.

Agencia Estado,

13 de junho de 2005 | 12h33

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