Remédio contra colesterol pode evitar infarto

Um tipo de medicamento desenvolvido para reduzir as concentrações de colesterol também poderia evitar que centenas de milhares de pessoas em todo o mundo sofressem enfarte ou derrame. A conclusão é de um trabalho publicado nesta sexta-feira na revista médica inglesa The Lancet.O estudo, chamado de Heart Protection Study (HPS), foi liderado por Rory Collins, pesquisador da unidade de testes clínicos da Universidade de Oxford e mostra que as substâncias conhecidas como estatinas, que reduzem a concentração de colesterol de baixa densidade lipoproteica (o colesterol mau), também reduzem os níveis de gorduras triglicéridas.Estas gorduras contribuem para aumentar o risco de doenças coronarianas. As estatinas, diz ainda o estudo, produzem uma pequena elevação do bom colesterol. Collins afirma que as estatinas reduzem também o risco de infarto ou derrame em pessoas que sofrem de diabetes, inflamação nas artérias e que já tenham passado por um ataque vascular.Mulheres, pessoas com mais de 70 anos, pacientes de trombose também podem ser beneficiados pela substância. Até então, havia dúvidas sobre os efeitos da estatina sobre esse grupo. "O que é ainda mais surpreende é que o estudo evidencia os benefícios substanciais da estatina em pacientes com alto risco de doenças cardiovasculares, mas que têm colesterol ´normal´ ou ´baixo´", assinala a revista.Os resultados já haviam sido anunciados no encontro da American Heart Association e sai agora em detalhes na publicação. O estudo - considerado o mais completo realizado até agora - se baseou no acompanhamento de um grupo de 20,5 mil pessoas (entre 40 e 80 anos) com alto risco de padecer de um infarto, entre as quais 6 mil diabéticos e 10 mil mulheres com mais de 65 anos.Durante cinco anos, uma parte do grupo foi medicada diariamente com 40 miligramas de um remédio conhecido como simvastatina e outra parte com placebo. Os que receberam estatina tiveram uma redução de pelo menos um terço do risco de ataque cardíaco e de entupimento das artérias. O risco de morte foi reduzido em 18%."Se colocarmos 10 milhões de pessoas com risco de sofrer ataque cardíaco sob tratamento com esse medicamento (estatina), poderíamos salvar 50 mil vidas por ano", disse Collins. As doenças cardiovasculares são a causa principal de morte em países industrializados.Richard Horton, editor da The Lancet, assinala que os resultados da pesquisa obrigarão os governos de todo o mundo a passar a preservar a estatina para reduzir o número pessoas expostas ao risco de ataques coronários e derrames.Segundo ele, a pesquisa pode conduzir a novas diretrizes sobre a prescrição de estatinas. Isso faria, diz ele, com que o total de pessoas que hoje são medicadas com a substância triplicasse em todo o mundo. "São os resultados mais importantes e extensos sobre o tratamento e prevenção de cardiopatias e de acidentes cardiovasculares que já observamos em uma geração", acrescentou.

Agencia Estado,

05 de julho de 2002 | 22h34

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