Remédio mais caro 'funciona melhor', sugere pesquisa

Estudo revela importância da interação entre médico e paciente no tratamento.

Da BBC Brasil, BBC

05 de março de 2008 | 17h35

Um estudo realizado nos Estados Unidos sugere que os placebos mais caros funcionam melhor do que os mais baratos quando administrados em pacientes.Conduzida pelo economista especialista em comportamento Dan Ariely, da Universidade Duke, nos Estados Unidos, a pesquisa testou 82 pacientes antes e depois da ingestão de placebos. Os voluntários foram divididos em dois grupos - o primeiro recebeu um placebo e um folheto dizendo que a pílula se tratava de um novo remédio para dor que custava US$ 2,5 (cerca de R$ 4,18) e o outro recebeu uma dosagem de um placebo e um folheto que informava que o preço era menor do que US$ 0,10 (R$ 0,16).Para determinar a "eficácia" dos placebos na diminuição da sensação de dor nos voluntários, os cientistas mediram a reação subjetiva à dor por meio de um sistema que descarrega pequenos choques elétricos nos pulsos dos pacientes.Os resultados apontaram que, no grupo que recebeu o placebo "mais caro", 85% dos participantes afirmaram que sentiram redução na dor. Entre os que receberam o placebo "mais barato", 61% dos voluntários disseram que se sentiram melhor após tomar a pílula.O estudo foi publicado em formato de carta na edição de março da revista científica Journal of the American Medical Association. Efeito placeboApesar de a pesquisa ter sido realizada com uma pequena amostra de pacientes, Ariely afirma que o estudo demonstra que as relações entre médico e paciente são importantes no momento de prescrever uma receita."Os médicos gostam de pensar que é a medicina, e não o entusiasmo que eles demonstram sobre um determinado remédio, que determina a eficácia terapêutica de um tratamento", afirmou o economista. Segundo Ariely, os resultados demonstram a expectativa que deriva do preço do remédio e do conhecido "efeito placebo", relacionado à crença do paciente que está sendo tratado."Este efeito é uma das forças mais fascinantes e menos exploradas do universo", disse.Ariely recomenda que os medicamentos deveriam oferecer embalagens mais atrativas e que os médicos deveriam usar o entusiasmo pelo medicamento como parte do tratamento.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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