Remédio para câncer produz proteína para memória

Uma droga utilizada no tratamento contra o câncer, o Bryostatin, pode servir para estimular a produção das proteínas necessárias para a memória a longo prazo e ser, portanto, útil na luta contra a doença de Alzheimer.Cientistas do Blanchette Rockefeller Neurosciences Institute e do Marine Biological Laboratory concluíram que o uso de Bryostatin prévio a um processo de aprendizagem causa uma melhora considerável na memória.O Bryostatin é um produto cuja matéria-prima é oriunda dos oceanos, como a maioria dos remédios da farmacologia do século XXI. Os efeitos positivos no combate ao Alzheimer não são novos, já que no ano passado descobriu-se que sua utilização em ratos não só diminuía a perda de cor como também protegia os neurônios desse animal da degeneração.No entanto, dessa vez o experimento foi feito com caracóis marinhos, que durante dias ficaram mergulhados em água salgada combinada com Bryostatin. Isso fez os neurônios das caracóis produzirem certas proteínas.Em outras palavras, o Bryostatin favoreceu o armazenamento das proteínas responsáveis pela memória."Os medicamentos que atualmente são utilizados para tratar o Alzheimer só afetam os sintomas e têm um efeito muito limitado", escreveu Daniel Alkon, principal autor do estudo, publicado na Proceedings of the National Academy of Science.Segundo Alkon, o verdadeiro avanço é o tratamento para a causa da doença, porque se centra no processo de formação da memória.A doença de Alzheimer, que não tem cura, se caracteriza por uma perda progressiva da memória e de outras capacidades mentais, à medida que as células morrem e diferentes zonas do cérebro se atrofiam.A degeneração celular causada pelo Alzheimer costuma ter uma duração média de dez anos, após os quais a destruição do cérebro começa a alcançar áreas vitais e causa a morte.Já que o uso de Bryostatin em humanos está aprovado pela FDA (agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA), os cientistas esperam que o processo para aprovação do testes da droga em humanos com Alzheimer seja rápida e comece em seis ou oito meses.

Agencia Estado,

25 de outubro de 2005 | 10h56

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