Remuneração feminina é 17,3% menor que a de homens

Sem considerar as horas trabalhadas, a diferença de remuneração de homens e mulheres foi ainda maior e atingiu 29,3% em 2009

Beatriz Bulla, Agência Estado

19 Julho 2012 | 11h14

SÃO PAULO - Os salários recebidos pelas trabalhadoras eram 17,3% menores do que as remunerações dos homens em 2009, quando consideradas as horas trabalhadas, de acordo com o relatório "Perfil do Trabalho Decente no Brasil: um olhar sobre as unidades da Federação",  divulgado hoje (19) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Sem considerar as horas trabalhadas, a diferença de remuneração de homens e mulheres foi ainda maior e atingiu 29,3% em 2009.

A jornada de trabalho média feminina é mais curta que a masculina, segundo a OIT, por conta da maior presença das mulheres em trabalhos precários em tempo parcial e devido também a uma maior dificuldade de as mulheres fazerem hora extra e exercerem atividades como revezamento noturno.

A proporção de mulheres no mercado de trabalho pulou de 57% em 1992 para 62,9% em 2004 e chegou a 64,8% em 2009. No mesmo período, a proporção de homens que trabalham caiu, passando de 90% em 1992 para 86,8% em 2004 e 86,7% em 2009. Com mais mulheres inseridas no mercado de trabalho e menos homens, o diferencial entre gêneros diminuiu, passando de 24 pontos porcentuais em 2004 para 21,9 pontos porcentuais em 2009. Com a mudança, as mulheres passaram a responder por 44,5% da População Economicamente Ativa (PEA) em 2009, contra 40% em 1992.

A taxa de formalidade feminina - mulheres que ocupavam postos formais de trabalho sobre o total das que trabalham -, em 2009, ainda era inferior à taxa masculina. Para mulheres, o índice era de 50,7%, enquanto, para os homens, a taxa era de 57%.

Carga horária. Mesmo com a jornada de trabalho formal mais curta do que a dos homens, as mulheres trabalham mais quando se leva em conta os trabalhos domésticos. A jornada semanal média das mulheres é de 36 horas no mercado de trabalho, contra 43,4 horas dos homens, mas a soma do tempo gasto com afazeres da casa faz com que as mulheres trabalhem 58 horas por semana, cinco horas a mais do que a carga de 52,9 horas dos homens.

As  mulheres brasileiras, de acordo com o relatório da OIT, trabalham 12,5 horas a mais do que os homens aos afazeres domésticos semanalmente. As mulheres dedicam 22 horas por semana ao trabalho doméstico, enquanto os homens gastam 9,5 horas semanais com as atividades da casa.  Entre as mulheres inseridas no mercado de trabalho, 90,7% disseram que também realizavam trabalhos domésticos. Entre os homens, a proporção era de 49,7%.

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