Representantes religiosos aceitam clonagem terapêutica

A clonagem terapêutica, que permite a reprodução de órgãos e tecidos humanos para fins médicos, foi aprovada por representantes de três correntes religiosas - judaísmo, umbanda e espiritismo - durante o seminário sobre Clonagem Humana promovido pelo Senado. Apenas o representante da Igreja Católica disse ser contra a técnica. Todos ressaltaram, porém, a necessidade de uma legislação que regulamente as condições em que a técnica pode ser aplicada, para não deixar margem à clonagem reprodutiva, condenada de forma unânime durante o seminário.A clonagem terapêutica consiste na produção de embriões em laboratório para o desenvolvimento de células-tronco, que podem ser usadas na produção de tecidos e órgãos. Os cientistas apostam que essa técnica pode ser de grande utilidade na cura de doenças de origem genética. A clonagem reprodutiva é feita por meio de uma técnica semelhante, mas visa à criação de um ser idêntico ao que forneceu a célula.Na opinião do frei Antônio Moser, que representou a Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) no seminário, "a vida é um dom de Deus e deve ser respeitada". Ele entende que a vida começa com a fecundação do óvulo. Portanto, ao destruir o embrião - como ocorre na clonagem terapêutica, para que as células possam ser usadas na produção de tecidos e órgãos - está se destruindo a vida. Isso não significa, no entanto, afirma frei Moser, que a Igreja é contra a pesquisa e o desenvolvimento científico.O rabino Henry Sobel, presidente da Comunidade Israelita Paulista (CIP), acha que clonagem terapêutica deve ser permitida. "Se pode ser usada para curar doenças e salvar vidas humanas, o judaísmo a apóia e aprova." Mas ele admitiu que fica "apreensivo" com a possibilidade de a liberação da clonagem terapêutica levar ao uso indevido e clandestino da técnica para fins reprodutivos. "Podem surgir clínicas clandestinas, como as clínicas de aborto", exemplificou.O mestre Araobatan, representante da Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino-Umbanda, também defendeu a clongam terapêutica porque, além de a técnica poder trazer benefícios para a humanidade, sua concepção religiosa entende que a vida antecede a fecundação. A opinião da representante da Federação Espírita do Brasil, Albenice Carvalho, vai na mesma direção. Ela ressaltou ainda que a "doutrina espírita é a favor de todo esforço que amplie o conhecimento e a visão do moral do homem."

Agencia Estado,

12 de junho de 2002 | 18h57

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