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Reprogramação de células da pele cria embriões de ratos

Células usadas para gerar os novos animais vivos tinham sido reprogramadas a partir da pele de animais adultos

Associated Press,

23 de julho de 2009 | 13h58

Duas equipes de cientistas chineses obtiveram um importante avanço em camundongos para o desenvolvimento de células-tronco sem a destruição de embriões.

 

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Essas células derivam de células comuns da pele, e foram criadas, a nos atrás, a partir de pele humana geneticamente reprogramadas. Mas continuaram a existir questões sobre se elas teriam o mesmo potencial das células embrionárias, transformando-se em qualquer tipo de tecido do corpo.  

 

Um modo de demonstrar a versatilidade das células reprogramadas seria gerar novas vidas a partir delas. Foi isso que os pesquisadores conseguiram fazer, usando camundongos.

 

Pela primeira vez, camundongos vivos foram gerados a partir de células-tronco criadas com a reprogramação da pele de animais adultos. E embora tenham ocorrido mortes incomuns e deformidades na primeira geração de camundongos, uma equipe produziu animais normais em quantidade suficiente para gerar centenas de camundongos de segunda e terceira geração.

 

Estudos desse tipo de célula-tronco, chamado de célula pluripotente induzida, ou iPS,foram publicados nesta semana por duas revistas científicas, Nature e Cell Stem Cell

 

"Demonstramos que é prático usar células iPS", disse a diretora-assistente do Instituto de Genética Médica de Xangai, Fanyi Zeng, e que é coautora do estudo mais bem-sucedido, publicado na Nature.

 

Um importante pesquisador americano da área, que não tomou parte em nenhum dos estudos, George Daley, do Instituto Harvard de Células-Tronco, saudou o trabalho como importante porque mostra que o novo tipo de célula-tronco "satisfaz o critério mais rígido para células-tronco embrionárias - a capacidade de fazer um camundongo inteiro a partir de células num laboratório".

 

Esse tipo de célula-tronco gera menos controvérsia que as células-tronco embrionárias, que cientistas estudam há mais de uma década. As células embrionárias são obtidas por meio da destruição de embriões.

 

O novo tipo de célula-tronco usa um vírus para reprogramar a informação genética da célula da pele, a fim de fazê-la comporta-se como uma célula-tronco. Como essas células não são capazes de criar uma placenta, os pesquisadores chineses então combinaram as novas células-tronco com células que forneceriam uma placenta.

 

 Zeng disse que todos os tipos de pesquisa com células-tronco deveriam continuar, não apenas as de IPS. Seu estudo gerou 27 camundongos vivos. Alguns, disse ela, tiveram "anomalias", mas ela se absteve de dizer quais os problemas enfrentados. Os detalhes aparecerão numa publicação científica posterior, disse.

 

Esses 27 camundongos produziram uma segunda e uma terceira geração com centenas de camundongos sem anomalias perceptíveis. Zeng disse que, mesmo restrita a camundongos, a demonstração da versatilidade das iPS pode ajudar médicos a "compreender as causas fundamentais de doenças e levar a tratamentos viáveis para problemas humanos".

 

A outra equipe obteve apenas quatro animais. Três morreram rapidamente e um cresceu para se tornar um animal adulto.

 

Daley e Zeng destacam que o processo é ineficiente: muitas tentativas foram necessárias para que algumas células-tronco gerassem nascimentos. E o trabalho ainda está restrito a camundongos. Zeng disse que não seria ético tentar usar essa técnica de células-tronco para reproduzir seres humanos.

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