Reserva de Juréia é um oásis de biodiversidade a serviço da ciência

A Estação Ecológica de Juréia-Itatins foi criada por pressão de grupos ambientalistas, de entidades governamentais e da sociedade civil com a finalidade de preservar um dos últimos e mais importantes remanescentes de Mata Atlântica existente. Foi sancionada pela Lei Estadual 5.649, de 1987, com o objetivo de assegurar a integridade de 90% da área para preservação dos ecossistemas e 10% para fins científicos e de educação ambiental. Possui 59.730 hectares (cerca de 800 km2), nos municípios de Peruíbe, Iguape, Itariri e Miracatu, na região conhecida como Vale do Ribeira, no litoral sul de São Paulo.Segundo o diretor responsável pela reserva, Joaquim do Marco Neto, que trabalha na reserva desde a criação, a Estação Ecológica avançou muito até 1994, tanto em formação de equipe - que era compatível com as demandas existentes -, quanto em levantamento s de campo, montagem dos processos expropriatórios e cadastramento de famílias. A partir daí, houve uma perda significativa de funcionários, que passaram de 95 para pouco mais de 30. Somente neste ano foi realizado um concurso e foram contratadas mais doze pessoas. Paisagem dentro da Estação. Foto: Beto Barata/AEA partir de 1995, foram conseguidos recursos - através de convênio com o Banco Mundial -, que permitiram a construção da sede, bases de fiscalização, apoio a pesquisadores, veículos e barcos. "Atualmente a demanda é superior à quantidade de funcionários, embora sejamos privilegiados em relação a outras unidades de conservação", diz Marco.Com a Mata Atlântica desaparecendo a um ritmo de 3,5 campos de futebol por dia, a Juréia é um oásis de biodiversidade a serviço da ciência. De 1999 a 2002, 56 pesquisas estão sendo desenvolvidas no local, de instituições como Universidade de São Paulo (USP), Instituto Butantan, PUC, Embrapa, Universidade de Campinas (Unicamp), Instituto de Botânica, e universidades federais de São Carlos, Rio de Janeiro e Espírito Santo, entre outras.Os cientistas buscam na Estação informações sobre ecologia, fauna terrestre e marinha, botânica, fitogenética, clima, ecoturismo, entre vários outros temas. A maior parte da Estação Ecológica é considerada área de extrema relevância para a conservação, o que inclui toda a Serra do Itatins, a Serra da Juréia, o Maciço do Parnapuã e as áreas de restingas e caxetais existentes em toda a planície do rio Una e ao longo das praias da Juréia e do Rio Verde. Pássaro Foto: Beto Barata/AEEntre as espécies em extinção que ali vivem estão a jacutinga, o gavião-de-penacho, o sabiá-cica e a choca-da-taquara (uma das aves mais raras em toda a Mata Atlântica), entre várias outras.

Agencia Estado,

17 de novembro de 2002 | 18h41

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