Reserva ocupa área equivalente à da Holanda

Não importa de que maneira você olhe, o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque é grandioso. No mapa, ocupa quase um terço do território do Amapá, em uma área equivalente à da Holanda. Visto do alto, pela janela de um helicóptero, suas florestas se espalham até tocar o horizonte por centenas e centenas de quilômetros. E para aqueles que têm a sorte de caminhar por entre suas árvores, a sensação é a de um ambiente absolutamente selvagem, ao mesmo tempo magnífico e assustador. "Pela primeira vez na minha vida tenho a sensação de estar em um ecossistema realmente primitivo, totalmente inalterado", deslumbra-se o chefe do parque, Christoph Jaster, do Ibama, diante da magnitude da selva que está incumbido de proteger. "É espetacular. Temos que defender isso aqui com unhas e dentes."Criado em agosto de 2002, com 38.867 quilômetros quadrados, o Tumucumaque é o maior parque nacional de floresta tropical do mundo. Para colocar uma cerca em torno dele, seriam necessários 1.750 quilômetros de arame. "E isso representa apenas 1% da floresta amazônica", aponta o geógrafo e sub-chefe do parque, Cristiano Fernandes Ferreira. O grande diferencial da unidade são os pontões rochosos de granito que brotam do interior da floresta, conhecidos como inselbergs - ou "pães-de-açúcar", na linguagem mais popular.A expedição científica foi direcionada justamente para a área de maior concentração desses pontões, no extremo oeste do parque. Enquanto os pesquisadores faziam o levantamento de biodiversidade, a equipe do parque aproveitava para fazer o reconhecimento visual e mapeamento por GPS da região. Todas as informações biológicas e geográficas serão usadas na elaboração do plano de manejo da unidade, previsto para ser entregue ainda este ano. A idéia é abrir o parque para visitação pública em 2006.A origem do nome Tumucumaque, ninguém sabe explicar. Ainda jovem, o parque é a peça maior em um mosaico de unidades de conservação que recobrem mais de 50% da área do Amapá. Com pouco mais de 500 mil habitantes - equivalente à população de Ribeirão Preto, no interior paulista -, o Estado ainda possui mais de 90% de sua cobertura vegetal preservada.No Tumucumaque, esse índice chega a quase 100%. Sem estradas e isolado de qualquer grande concentração urbana, o parque está praticamente intocado, a não ser por alguns focos isolados de garimpo. O Ibama já identificou 25 pistas de pouso clandestinas, mas acredita que menos de 10 delas estejam ativas. "Temos uma feliz situação em que os mecanismos de proteção estão chegando antes da interferência humana", afirma Jaster, um alemão naturalizado brasileiro que antes trabalhava como consultor ambiental no Paraná. "Normalmente, o que ocorre é o contrário. No Sudeste, é sempre um último apelo para salvar o que sobrou."A equipe do Ibama no Tumucumaque é formada por cinco pessoas, equipadas com dois pequenos barcos e um carro. Pouco, obviamente, para 38 mil km² de floresta. Jaster, entretanto, não se deixa intimidar. "Somos apenas cinco, mas contamos com toda a infra-estrutura do Ibama e o apoio de várias outras instituições, como o Exército e a Polícia Federal", diz. "No fim das contas, temos todo o poder público trabalhando pela mesma causa."O isolamento do parque, nesse aspecto, também acaba sendo um importante fator de preservação. "Se é difícil para nós chegarmos, é difícil para todo mundo. Se é caro para nós, também é caro para todo mundo", analisa Ferreira. A idéia, no futuro, é colocar bases de controle ao longo dos principais rios que dão acesso ao parque, além de escritórios em Oiapoque e Serra do Navio (já em fase de implantação).

Agencia Estado,

29 de janeiro de 2005 | 12h53

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