Reservas extrativistas ampliam uso de recursos naturais

Abater animais silvestres e extrair madeira eram duas atividades proibidas dentro de reservas extrativistas (resex). Mas serão autorizadas, até o final do ano, em algumas resex da Amazônia, de acordo com planos de manejo e estudos, que avaliam a capacidade de suporte e estabelecem os limites para a exploração sustentável destes recursos. Em algumas unidades, será autorizado também o ecoturismo. O trabalho é orientado pelo Centro Nacional de Populações Tradicionais e Desenvolvimento Sustentável (CNPT/Ibama).As primeiras reservas a ter plano de manejo serão a do Alto Tarauacá, Cazumbá-Iracema e Chico Mendes, no Acre; Jutaí e Médio Juruá, no Amazonas; Barreiro das Antas, Lago do Cuniã e Rio Ouro Preto, em Rondônia; Rio Cajari, no Amapá; Tapajós-Arapiuns e Soure, no Pará. Juntas, as 11 reservas abrangem 3,92 milhões de hectares e abrigam 4.440 famílias.A madeira e o ecoturismo surgem como alternativas de renda à comercialização dos produtos florestais tradicionais, como borracha, castanha, frutas, fibras, óleos e essências. O abate, porém, será autorizado exclusivamente para consumo dos habitantes locais, de modo experimental e controlado, em duas reservas: Cazumbá-Iracema (AC) e Tapajós-Arapiuns (PA). Manejo da Fauna?Estas duas reservas já vem trabalhando há mais de um ano com a tentativa de domesticação de algumas espécies ? sobretudo catetos, capivaras, pacas e queixadas ? e farão os projetos demonstrativos?, explica Atanagildo de Deus Matos, chefe do CNPT. Ele acredita que até dezembro de 2003 seja possível fazer uma avaliação da experiência e, eventualmente, autorizar outras reservas a adotar o mesmo sistema. Os animais são cevados (atraídos a um determinado local com comida), depois cercados em um trecho de seu ambiente natural, para criação em semi cativeiro, com fornecimento de milho para complementar sua alimentação.?O primeiro objetivo é selecionar matrizes e consumir apenas as crias. Ainda vamos estabelecer quantos poderão ser abatidos, conforme a quantidade de animais capturados?, continua Matos. ?Na verdade vamos ordenar algo que já existe de modo irregular, mas introduzindo o semi cativeiro, verificando como a comunidade aceita o novo processo e que resultados obtém?. PescaO Ibama também está trabalhando com a racionalização da pesca em alguns lagos da várzea do Amazonas. No início deste mês de janeiro, publicou uma instrução normativa, que incorpora iniciativas comunitárias e acordos de pesca participativos, elaborados com o apoio de organizações não-governamentais, como o WWF. Através de tais acordos, são estabelecidas formas de uso para cada lago, reservando alguns exclusivamente para reprodução, outros para a pesca comunitária e abrindo outros para a pesca comercial.A instrução normativa procura acalmar conflitos entre pescadores locais e barcos comerciais ? lá chamados ?geleiros?, porque são frigoríficos. Com a demanda crescente de peixes nas zonas urbanas, os ?geleiros? tendem a usar redes e capturam indiscriminadamente peixes comerciais e espécies que não são consumidas. Os peixes não aproveitados são largados às margens dos lagos para morrer, com grande índice de desperdício. Depois da passagem desses barcos, muitas comunidades ficam ser ter o que comer, até a fauna se recuperar.

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