Resfriamento cria topologia e campo magnético de Mercúrio

Dados da sonda Messenger também revelam o papel dos vulcões na formação da superfície do planeta

Carlos Orsi, do estadao.com.br, com Reuters,

03 de julho de 2008 | 17h43

Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol e fica na região mais quente do Sistema Solar, mas o principal motor de sua geologia é o resfriamento de seu núcleo, indicam os dados levantados pela sonda Messenger, da Nasa, lançada em 2004 e que fez uma primeira passagem pelo planeta em janeiro. A Messenger voltará a voar perto de Mercúrio em outubro deste ano, novamente em setembro de 2009 e deverá entrar em órbita ao redor do planeta, para uma missão de um ano, em 2011.   "Depois do período do bombardeio pesado, o resfriamento do núcleo não só alimentou o campo magnético, mas também levou a uma contração do planeta como um todo. E os dados da passagem indicam que a contração total é pelo menos um terço maior do que se imaginava", disse o principal pesquisador da Messenger, Sean Solomon, da Carnegie Institution, em nota. "Bombardeio pesado" é o nome dado à fase da história do Sistema Solar onde os planetas eram vítimas de constantes colisões com asteróides e cometas.   O núcleo de Mercúrio compõe pelo menos 60% da massa do planeta, quase o dobro do registrado em qualquer um dos demais planetas rochosos do Sistema Solar. Segundo Solomon, os novos dados sugerem que o campo magnético do planeta é gerado pelo resfriamento desse núcleo.   Análises dos dados levantados pela sonda Messenger também mostraram que vulcões foram importantes no desenho da face do planeta, uma questão que estava em debate há mais de 30 anos. Os resultados de estudos feitos com dados colhidos em janeiro pela Messenger aparecem em 11 artigos publicados na edição desta semana da revista Science.   A controvérsia em torno dos vulcões de Mercúrio teve início em 1972, quando a missão Apollo 16, à Lua, sugeriu que algumas planícies lunares eram feitas de material ejetado por grandes impactos. Quando a Mariner 10 fotografou uma topologia semelhante em Mercúrio, em 1975, alguns cientistas convenceram-se de que os mesmos processos estariam em ação.   Mas as imagens da Messenger mostram chaminés vulcânicas ao longo da margem da Bacia Caloris, uma das bacias de impacto mais recentes do Sistema Solar, e indicações de que parte da bacia foi preenchida por lava vulcânica, além de sinais de explosões vulcânicas.   A Messenger é a primeira sonda a visitar Mercúrio desde a Mariner 10, que havia fotografado 45% da superfície do planeta. Na passagem de  janeiro, a nova sonda obteve imagens de mais 20%. Com o rebaixamento de Plutão a planeta-anão, Mercúrio é agora o menor dos planetas do Sistema Solar, com diâmetro de 4.880 km.

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