Resíduo industrial é transformado em tijolo ecossocial

Um projeto de responsabilidade social da TRW, empresa de segurança automotiva do Grupo Blackstone, em Limeira, interior de São Paulo, resultou na inauguração, neste mês, de uma fábrica de tijolos ecossociais. Operada pela Comunidade Terapêutica Mais Vida, que atende dependentes químicos em fase de desintoxicação, a fábrica utiliza como matéria-prima os resíduos da empresa (areia de fundição), anteriormente destinados ao aterro industrial.?A areia resultante da fundição da empresa é um produto inerte, pois não contém nenhum produto tóxico. Sua coloração é negra por conta da queima e adição de carvão e precisa ser destinada em aterro por ser sub-produto industrial?, explica José Cicolin, gerente de Recursos Humanos para a América do Sul. Esse material era depositado em um aterro municipal e, posteriormente, em aterro industrial da própria empresa.As pesquisas para o aproveitamento dos resíduos na construção civil tiveram início em 1994, quando o professor da Universidade de Campinas (Unicamp) e atual gerente da Companhia de Tecnologia em Saneamento Ambiental (Cetesb) na região, Adilson Rossini, orientou trabalho de um aluno para utilização dessa areia na fabricação de tijolos. Apesar do sucesso da pesquisa, a idéia ficou adormecida por falta de parceiros para produzir os artefatos.Segundo Cicolin, com a criação de um comitê de responsabilidade social na empresa, em 2000, nasceu a idéia de reutilizar o produto. ?O projeto permitiria dar sobrevida ao aterro industrial e, ao mesmo tempo, uma destinação ambiental e social para o descarte. A Mais Vida foi escolhida por ser uma entidade que usa a laboterapia em seu processo de reinserção social?, conta. A partir daí, o convênio com a Unicamp foi retomado, para novos testes, e foram providenciadas as licenças de funcionamento junto à Cetesb e à Prefeitura de Limeira.A fábrica, instalada em uma das chácaras da Mais Vida, produz cerca de 1500 tijolos por dia, mas tem capacidade para até 3 mil. Cerca de dez pessoas trabalham no local, em sistema de rodízio escalonado pela entidade. O produto conta com a especificação técnica da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e utiliza areia e cimento no lugar de barro. ?A produção usa um processo de cura natural, com secagem em sete dias, sem necessidade de ir ao forno, economizando lenha e óleo. Com isso, temos um produto de tamanho mais uniforme, que requer menor quantidade de argamassa e reboco em sua utilização?, diz Cicolin.A TRW investiu cerca de R$ 120 mil no projeto, sendo parte desse valor proveniente de incentivo fiscal, por meio das contribuições financeiras realizadas pela empresa ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. O grupo de funcionários da empresa envolvido com o projeto trabalha, agora, na colocação do produto no mercado, para possibilitar a ampliação da produção. Segundo o gerente, o tijolo ecossocial tem um preço de tijolo normal de primeira linha. Os recursos conseguidos pela nova fábrica são totalmente destinados à Mais Vida.

Agencia Estado,

29 de abril de 2003 | 15h22

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