Reunião sobre efeito estufa termina com 'pequeno progresso'

Ambientalistas acusaram os Estados Unidos, Canadá e Austrália de obstruírem o progresso das conversas

AP

13 de junho de 2008 | 19h37

Uma conferência da ONU sobre um novo acordo a respeito da mudança climática terminou nesta sexta-feira, 13, com os delegados alegando um "pequeno progresso", mas preocupados com a lentidão dos trabalhos, que poderá impedir que o acordo se complete a tempo. O fim da reunião coincide com a divulgação de um novo relatório de holandês sobre meio ambiente afirmando que as emissões chinesas de gases causadores do efeito estufa agora estão 14% mais altas que as norte-americanas.  Os representantes de 172 países começaram a reunir propostas específicas para frear o aquecimento global através do corte das emissões de carbono, para ajudar países pobres a se adaptarem aos efeitos do aquecimento e para levantar a verba de bilhões de dólares necessária todos os anos. No entanto, participantes disseram que não foram apresentadas idéias suficientes e organizações ambientais acusaram os Estados Unidos, Canadá e Austrália de obstruírem o progresso das conversas. As conversas pretendem produzir um sucessor para o acordo de Kyoto de 1997, que estabelece metas para 37 países industrializados cortarem suas emissões de gases estufa em 5% até 2012.  O novo acordo deve ficar pronto em 18 meses para dar tempo para a ratificação e transição suave para as novas normas, em 2012. "Tendo em vista o pouco tempo de negociação disponível até 2009, as propostas devem se tornar muito mais objetivas", disse Yvo de Boer, o representante das Nações Unidas em assunto s de mudança climática.  Harald Dovland, norueguês no comando de um grupo de trabalho de renovação dos termos de Kioto, reconheceu sua frustração pela falta de conclusões. "Nós precisamos de um espírito de cooperação completamente novo", disse.  "Se continuarmos dessa forma e nesse ritmo de trabalho, temo que não consigamos atingir as metas estabelecidas para nosso programa." O líder de um outro grupo chave de trabalho em cooperação multilateral disse, entretanto, estar encorajado pelas numerosas idéias em financiamento e transferência tecnológica.  "Estamos fazendo a transição de discussões mais amplas para a fase de negociações", disse o brasileiro ,Luis Figueiredo Machado. Bill Hare, do Greenpeace, disse que países ricos falharam em oferecer sugestões concretas ou criativas, e que praticamente todas as idéias inovadoras vieram dos países em desenvolvimento. "A não ser que se acelere o passo, a não ser que as barreiras políticas sejam removidas rapidamente e urgentemente, há um grande risco dessas negociações falharem", disse.  Representantes vão se reunir novamente em agosto na cidade de Acra, em Gana, e depois disso, novamente em Poznan na Polônia, em dezembro. Pelo menos mais quatro grandes reuniões foram marcadas para 2009, sendo concluídas em Copenhague, na Dinamarca, em dezembro.  Entre as propostas que receberam mais atenção em Bonn está a sugestão mexicana de criar um novo fundo global com o qual os países contribuiriam, se possível de acordo com sua taxa de emissões de carbono. Dessa forma, países mais pobres poderiam usar o dinheiro para sua adaptação às mudanças climáticas. A China também chamou atenção sugerindo um protocolo para reger a transferência tecnológica. Empresas seriam compensadas por vender tecnologia acessível para países em desenvolvimento.  Li Yan, da sede chinesa do Greenpeace, disse que a abordagem chinesa para a mudança climática, que já foi relutante, mudou muito nos últimos dois anos.  Ela elogiou algumas das medidas internas em energias renováveis e em eficiência energética, e sua nova atitude cooperativa para um acordo internacional. Ao mesmo tempo, a China está construindo uma nova usina de carvão a cada seis dias para abastecer sua crescente economia.  As crescentes emissões chinesas foram destacadas no relatório divulgado nesta sexta-feira, 13, pela Agência Netherlands Environmental Assessment. As emissões globais cresceram 3,1% no ano passado, muito devido ao aumento de 8% na China, disse o relatório financiado pela agência do governo holandês. Esse número continuará a crescer, especialmente devido a enorme reconstrução necessária após o terremoto em Sichuan. Produção de cimento já contabiliza um quinto das emissões chinesas, diz o trabalho.  Apesar das emissões totais da China serem maiores que as norte-americanas, sua emissão per capta é quase quatro vezes menor.

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