Ribeirão Preto aterra e impermeabiliza lixão de Serrana

Após um acordo de recuperação, firmado com a Promotoria de Meio Ambiente, a Prefeitura de Ribeirão Preto está fazendo o aterramento e a impermeabilização do antigo lixão de Serrana, usado entre 1979 e 1989. A medida evitará que as águas da chuva aumentem o chorume (material orgânico do lixo) e contaminem o Aqüífero Guarani - seu ponto de afloramento e recarga está a cerca de 40 metros do local do aterro. O trabalho deve terminar até abril.O diretor da Secretaria de Planejamento e Gestão Ambiental do município, Marco Aurélio da Silva Carvalho, disse que a impermeabilização está sendo feita com o solo argiloso da própria área, que era terreno de extração de saibro antes virar lixão. Os buracos deixados na época estão sendo aterrados. O trabalho começou em dezembro. "Depois disso, o risco de contaminação estará cessado", diz Carvalho.A área do lixão, de 95 mil metros quadrados, deverá ainda ser reflorestada. No local, é proibido construir. "A área é da prefeitura e de exclusão." Carvalho garante que não há perigo de a população consumir água poluída. "O fluxo da água contaminada não avançou para a cidade. Está sob o próprio lixão e desaparecendo." A água da chuva será drenada para uma área próxima, que não afetará o aqüífero.A contaminação do aqüífero foi detectada pela primeira vez em 1995, quando a prefeitura encomendou um estudo geofísico. A partir do resultado, o geógrafo Elias Antônio Vieira se interessou pelo assunto e fez a tese de mestrado A Questão Ambiental do Resíduo/Lixo em Ribeirão Preto, defendida em 2002 na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro.Em seu trabalho de campo, ele detectou os problemas no lixão de Serrana e até de outros antigos, como os dos Jardins Juliana e Palmeiras 1 e 2, que, após encerrados, serviram de terreno para a construção de casas. Esses imóveis, no entanto, tiveram várias rachaduras, por onde saíam gases do lixão. Várias pessoas entraram na Justiça. "No mínimo em 30 anos não se deve construir nada sobre os lixões", diz Vieira.O geógrafo também analisou o atual aterro sanitário, à beira da rodovia que liga Ribeirão Preto a Dumont, que só deveria receber lixo doméstico. Ali, no entanto, constatou algumas irregularidades, como o depósito de carcaças de animais, cinzas de materiais hospitalares e pneus. Catadores de lixo moravam no local. Alguns problemas foram resolvidos e os catadores não estão mais lá: foram empregados pela prefeituras numa usina de reciclagem.Mas Vieira afirma que são necessárias outras melhorias, como sistema de drenagem da água pluvial, tratamento paisagístico e arborização, entre outros. "Falta também educação ambiental, conscientização dos moradores para a reciclagem do lixo."Carvalho diz que, atualmente, só lixo doméstico é depositado no local e que a base do aterro é impermeabilizada, com drenos de chorume e de gases. "É um deposição controlada", diz o diretor de Gestão Ambiental da prefeitura.Ele informou que o lixo hospitalar é incinerado em Paulínia. Para resolver outro problema, como um aterro para deposição de lixos industriais, Carvalho disse que Ribeirão Preto deverá liderar um consórcio regional com São Carlos e Araraquara. Um estudo geológico está em andamento. "Uma cidade sozinha não conseguiria fazer um aterro desses."

Agencia Estado,

22 de janeiro de 2003 | 22h36

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