Ricos bebem mais, mas bebida prejudica mais os pobres

A faixa da população da cidade de São Paulo que ganha entre R$ 5 mil e R$ 10 mil consome uma quantidade maior de bebidas alcoólicas do que a mais pobre. Em contrapartida, as famílias de baixa renda chegam a gastar um terço do orçamento mensal para sustentar esse consumo, muito mais do que os ricos.As afirmações são resultado de uma pesquisa para traçar o perfil socioeconômico do consumo de bebidas alcoólicas na capital paulista, com base na Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).Ao analisar informações sobre 2.353 residências de diferentes regiões da cidade, a autora do estudo, Valéria Furtado Ikeda, concluiu que as famílias mais pobres são as mais prejudicadas. Os gastos com bebidas chegam a comprometer 33% do orçamento familiar em lares com renda mensal de até R$ 250.?Essas famílias mais pobres provavelmente acabam desviando para as bebidas alcoólicas recursos que deveriam servir para suas necessidades básicas, como habitação e alimentação?, disse Valéria. O trabalho foi apresentado como dissertação de mestrado na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP).A parcela da população da capital paulista que ganha de R$ 5 mil a R$ 10 mil gasta apenas 2,6% de sua renda familiar com bebidas. Mas cada indivíduo nessa faixa compra, em média, 37 litros por mês, enquanto o mais pobre adquire 29 litros no mesmo período. Esses valores incluem todos os tipos de bebida alcoólica, incluindo cerveja, vinho, aguardente, licor e champanhe.?Apesar de beberem mais, os mais ricos não sofrem tantas conseqüências econômicas e sociais. Por terem renda superior, eles ingerem bebidas de qualidade mais elevada, se alimentam adequadamente e têm acesso a melhores serviços de saúde?, aponta a pesquisadora.Valéria verificou ainda que os hábitos de consumo alcoólico dos paulistanos também podem ser separados de acordo com o poder aquisitivo. A classe alta consome mais uísque e cerveja, enquanto a classe média prefere chope e a faixa mais pobre aguardente e cerveja.

Agencia Estado,

18 de outubro de 2005 | 10h27

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.