Rio busca ajuda para reproduzir animais em risco

O Rio vai investir na reprodução assistida de animais nativos da Mata Atlântica ameaçados de extinção, como micos-leões e muriquis. O Estado firmou acordo com o Zoológico de San Diego (Califórnia), um dos maiores centros de reprodução animal do mundo, cujos especialistas irão treinar os colegas brasileiros. Até o fim do ano, deverão ser gastos R$ 1 milhão no projeto.A tecnologia não é novidade no Brasil - as técnicas já são usadas com objetivo comercial, para melhorar a qualidade de rebanhos bovinos -, mas sua aplicação com vistas à preservação de espécies em risco é inédita.ExperiênciaOs americanos vão passar aos brasileiros a experiência que permitiu o aumento da população de pandas chineses no zôo, além de pássaros, lagartos e cobras que também corriam o risco de desaparecer.Serão utilizados nas fêmeas processos como inseminação artificial, fertilização in vitro e estimulação do folículo ovariano. Um laboratório especializado será montado no Centro de Primatologia do Rio, que fica em Guapimirim, na Região Metropolitana, e é habitado por 250 espécies de primatas.Acesso a laboratóriosPelo acordo, assinado pelas secretarias de Ciência, Tecnologia e Inovação e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano do Rio e pelo Zoológico de San Diego, os cientistas do Rio terão acesso aos laboratórios e ao banco de dados dos americanos. No futuro, os grupos dos dois países poderão formular projetos juntos.Os pesquisadores daqui poderão ir para lá e vice-versa, a fim de trocar informações. Entre 20 e 25 cientistas do Rio estarão envolvidos. São Paulo e Bahia, Estados que também têm remanescentes de Mata Atlântica, já se interessaram em fazer parte do programa.Outros animaisAlém dos primatas, também deverão ser reproduzidos roedores selvagens, como preás e porquinhos-do-mato. O programa será custeado pelo Estado."Queremos aumentar a população dos animais que podem ser extintos. Não podemos esperar o ciclo reprodutivo normal", disse o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Wanderley de Souza.MicroorganismosOutro programa conjunto tocado pelas duas secretarias, este a longo prazo, é o de mapeamento da flora, fauna e microorganismos (fungos e bactérias) existentes na Mata Atlântica.Atualmente, as informações já levantadas estão dispersas, já que são fruto de pesquisas feitas por diferentes cientistas. Há ainda espécies que jamais foram catalogadas.O objetivo é formular um banco de dados único a ser disponibilizado na internet. Os estudos existentes serão incluídos. O governo do Rio está buscando recursos da União para levar o projeto adiante. Para tal, são necessários recursos da ordem de R$ 2 milhões por ano.

Agencia Estado,

15 de julho de 2004 | 17h44

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