Rio faz 1.º implante contra Parkinson na rede pública

Uma equipe do Hospital do Fundão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou, pela primeira vez na rede pública do Estado, um implante cerebral para aliviar os sintomas motores da doença de Parkinson.Chefe do Grupo de Estudos de Desordens do Movimento do hospital, o neurocirurgião Marcello Reis explicou que a técnica, já muito utilizada no exterior, ainda é novidade no País e evita problemas causados pelo procedimento tradicional."O método antigo requer a destruição de uma determinada região do cérebro. É, portanto, algo irreversível", disse. Já no caso do estimulador cerebral profundo, a intervenção não é tão radical.EletrodoSegundo Reis, um eletrodo inserido no cérebro emite estímulos elétricos, enviados por um marcapasso, reduzindo, consideravelmente, os tremores e a rigidez causada pela doença. "Os estímulos podem ser ajustados, ao contrário do que ocorre na técnica anterior", explicou.O aparelho é importado e custa R$ 60 mil. "Já fizemos uma solicitação ao Ministério da Saúde para incluí-lo na tabela, mas ainda não fomos atendidos." Reis explica que o procedimento só tem contra-indicação para pessoas com problemas de coagulação. Além disso, é necessário que o paciente tenha como fazer a revisão sistemática. "É algo que exige um acompanhamento. As consultas são necessárias para regularmos a voltagem", detalhou.Sem cadeira de rodasOperado há pouco mais de um mês, o aposentado Geová Campos Rangel, de 57 anos, há 15 com Parkinson, já não precisa da cadeira de rodas."Foi muito difícil conseguirmos o direito de realizar o operação, mas valeu tudo o que passamos, pois ele está 70% melhor", disse sua mulher, Zeni da Costa Rangel, de 55, moradora de São Gonçalo, no Grande Rio.Há três anos, Reis operou o lado direito do cérebro de Geová, usando o método tradicional. "Ele estava sofrendo muito com os sintomas no lado esquerdo do corpo e, diante dos riscos de fazer mais uma lesão no cérebro, a única saída era colocar o eletrodo", contou Zeni.Ela recorreu à Defensoria Pública. "Depois de um ano de espera, decidimos recorrer ao juiz. Ainda assim, mesmo com a causa ganha, houve demora."De acordo com o Ministério da Saúde, o estimulador cerebral profundo não consta da tabela do Sistema Único de Saúde porque não tem eficácia comprovada, embora reconheça "que a técnica reduz, em até 48%, os sintomas do mal de Parkinson".

Agencia Estado,

18 de setembro de 2004 | 18h02

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