Rio Paraíba do Sul está sobrecarregado, diz pesquisa

A quantidade de dejetos lançada no Rio Paraíba do Sul é quatro vezes superior a sua capacidade de diluir os poluentes, segundo os padrões definidos pelo Comitê para Integração da Bacia Hidrográfica do Paraíba do Sul (Ceivap). Essa é a conclusão de pesquisadores da Coordenadoria de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe-UFRJ), que desenvolveram o Índice de Escassez da Bacia do Paraíba do Sul, por encomenda do governo do Estado. O vice-governador e secretário de Meio Ambiente, Luiz Paulo Conde, anunciou uma série de medidas para evitar o racionamento de água no Estado.A pesquisa da Coppe, que identifica os pontos mais críticos do rio, chegou à conclusão de que o esgoto doméstico é o maior vilão do Paraíba do Sul. "Por causa da poluição, é como se tivessem retirado a água do Rio, porque ela não serve mais nem para consumo nem para captação, já que não consegue diluir os poluentes dentro dos padrões fixados pelo Ceivap", disse o pesquisador da Coppe Patrick Thomas. "Com a seca e a queda no volume de água, pode chegar um momento em que não será mais possível tratar a água. Porque a quantidade de esgoto é a mesma, mas não há água suficiente para diluí-la", disse. Os pesquisadores partiram de três parâmetros para calcular o índice - captação da água (ela é retirada do rio, usada e devolvida), consumo (ela é somente retirada da bacia), e a diluição de matéria orgânica (esgoto).O índice varia de zero (água sem uso e sem poluição) a 100% (esgotada a disponibilidade hídrica). "Quando o índice passa de 100% significa que foram desrespeitados todos os padrões de qualidade estabelecidos para a bacia. Para consumo e diluição, o Paraíba está perto do limite", afirma Thomas.Em alguns trechos, como São José dos Campos e Taubaté, em São Paulo, e Petrópolis e Friburgo, no Rio de Janeiro, o índice registra 500% do consumo da disponibilidade hídrica. "Essa área não pode crescer economicamente, porque indústrias não podem se estabelecer ali. E viverá crises permanentes de abastecimento", prevê Thomas.

Agencia Estado,

07 de agosto de 2003 | 19h14

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