Risco de autismo é 18% maior entre filhos de mães adolescentes

Estudo também confirma que o risco aumenta entre os pais mais velhos e os casais com diferença de idade maior que 10 anos

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

10 Junho 2015 | 18h04

Mães adolescentes têm um risco 18% maior de ter filhos autistas, em comparação com mães de 20 a 30 anos de idade. A conclusão é do maior estudo já realizado no mundo sobre as correlações entre idade dos pais e risco de autismo. A análise foi feita a partir de dados de 5,7 milhões de crianças nascidas entre 1985 e 2004 - incluindo mais de 30 mil autistas - na Dinamarca, Israel, Noruega, Suécia e Austrália. 

O estudo, publicado na terça-feira, 9, na revista científica Molecular Psychiatry, foi financiado pela organização científica Autism Speaks e coordenado por pesquisadores da Escola Icahn de Medicina, em Nova York (Estados Unidos). A pesquisa também indicou uma ocorrência de autismo aumentada entre crianças cujos pais têm uma diferença de idade relativamente grande.

"Embora já tenhamos visto antes pesquisas sobre autismo e idade dos pais, nenhum estudo é como esse. Relacionando os registros nacionais de saúde em cinco países, criamos o maior conjunto de dados do mundo sobre os fatores de risco do autismo", disse um dos autores do artigo, Michael Rosanoff, diretor de pesquisa em saúde pública do Autism Speaks. O tamanho do estudo, segundo ele, permitiu que a relação entre a idade dos pais e o autismo fosse observada com uma resolução sem precedentes, segundo Rosanoff. "É como se estivéssemos olhando os dados com um microscópio", afirmou.

"Embora a idade dos pais seja um fator de risco para o autismo, é importante lembrar que, em geral, a maior parte das crianças nascidas de pais mais novos ou mais velhos se desenvolverá normalmente", afirmou outro dos autores, Sven Sandin, da Escola Icahn de Medicina e do Instituto Karolinska (Suécia).

De acordo com os autores, muitos estudos anteriores tinham identificado uma ligação entre a idade avançada dos pais e o risco de autismo, mas vários aspectos dessa correlação permaneciam obscuros. Algumas pesquisas, por exemplo, apontavam que havia um risco maior de autismo entre pais mais velhos, mas não entre mães mais velhas. O objetivo do novo estudo, segundo os autores, era determinar se a idade avançada dos pais e mães aumentam de forma independente os riscos de autismo. Para isso, os cientistas identificaram e controlaram cada uma das variáveis ligadas à idade e que podem afetar o risco de autismo. "O estudo confirmou que o risco de autismo é influenciado, de forma independente, pela idade do pai, pela idade da mãe e pela diferença de idade entre os pais", afirmou Sandin. 

Em comparação com as mães que têm entre 20 e 30 anos, as mães adolescentes têm filhos com uma taxa de ocorrência de autismo 18% mais alta. Quando o pai tem mais de 50 anos, a taxa é 66% maior que entre os pais de 20 a 30 anos. Quando o pai tem entre 40 e 50 anos, a taxa cresce 28%. Quando a mãe tem entre 40 e 50 anos, a taxa de autismo é 15% maior em relação às mães entre 20 e 30 anos. 

De acordo com o estudo, as taxas de autismo também aumentam à medida que cresce a diferença de idade entre o pai e a mãe. Essas taxas são especialmente maiores quando o pai tem entre 35 e 45 anos e a mãe é mais jovem, com uma diferença além de 10 anos. O mesmo ocorre quando a mãe é mais de 10 anos mais velha que o pai na faixa dos 35 a 45 anos. 

O risco maior associado a pais com mais de 50 anos é, segundo os autores do estudo, coerente com a ideia de que mutações genéticas no esperma aumentam à medida que o homem envelhece - e essas mutações podem contribuir para o desenvolvimento de distúrbios associados ao autismo. No entanto, ainda não há explicação para os fatores de risco associados com a idade da mãe e com a diferença de idade entre os pais.

"Esses resultados sugerem que múltiplos mecanismos contribuem para a associação entre a idade parental e o risco de autismo", diz o estudo.

"Quando registramos pela primeira vez que a idade avançada do pai aumenta o risco de autismo, sugerimos que mutações podem ser a causa. A pesquisa genética mostrou mais tarde que essa hipótese estava certa. Neste estudo, nós descobrimos pela primeira vez que o risco de autismo está também associado à diferença de idade entre os pais", disse outro dos autores, Abraham Reichenberg, da Escola Icahn de Medicina. Segundo ele, também é a primeira vez que foi confirmada a associação entre o risco de autismo e a gravidez na adolescência. "Será preciso realizar novas pesquisas para compreender esses mecanismos", disse Reichenberg.

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