Risco de tragédia nuclear é máximo, diz Greenpeace

A organização ecologista Greenpeace alertou nesta segunda-feira em Viena, na véspera do 19.º aniversário do acidente nuclear de Chernobil, que "a possibilidade de acontecer um grave acidente nuclear de conseqüências ainda piores" nunca foi tão alta como agora."O envelhecimento dos reatores, os erros inerentes à tecnologia nuclear e a perda da cultura de segurança elevaram a probabilidade de ocorrer um acidente a níveis nunca antes conhecidos", afirma um documento, redigido por especialistas em segurança nuclear e apresentado na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).O relatório também não descarta que estas instalações se transformem em alvos terroristas, já que "as centrais nucleares não estão suficientemente protegidas contra eventuais ataques", conforme os especialistas."Há diversos cenários - além do possível choque de um avião comercial de uma companhia aérea contra o edifício do reator de uma central nuclear - que poderiam ocasionar um acidente nuclear de nível máximo", afirma o Greenpeace.A explosão, em abril de 1986, no quarto reator da Chernobil espalhou no meio ambiente pelo menos 200 toneladas de material nuclear comuma radioatividade de 50 milhões de curies, o equivalente a 500 bombas atômicas como a que explodiu sobre Hiroshima. Segundo a Cruz Vermelha, a tragédia de Chernobil afetou 7 milhões de pessoas na Rússia, Bielorrússia e Ucrânia.O documento cita os perigos da "liberalização do sistema elétrico", o que levou "as companhias elétricas proprietárias de centrais nucleares a tentar minimizar custos e, por isso, reduzem os investimentos em segurança nuclear"."Ao mesmo tempo as companhias proprietárias pretendem em muitos casos aumentar a potência de seus reatores nucleares, por exemplo, aumentando a pressão e a temperatura de funcionamento do reator. Isto causa uma aceleração do envelhecimento e uma redução das margens de segurança", dizem os especialistas.O Greenpeace afirma que um acidente num reator de água leve "poderia liberar no ambiente radioatividade em um nível várias vezessuperior ao da liberada no acidente de Chernobil, e cerca de mil vezes maior que a de uma bomba atômica de fissão nuclear".Neste cenário, "seria preciso retirar a população de áreas de mais cem mil quilômetros quadrados. O número de casos de mortes por câncer poderia exceder um milhão", acrescenta.O Greenpeace acusa a AIEA de estar "atuando irresponsavelmente, tentando esconder a crítica condição das centrais nucleares e o declive global da segurança". Os ecologistas exigem o "abandono da energia nuclear como a única medida efetiva" para acabar com a ameaça nuclear.Os especialistas que assinam o documento são os alemães Helmut Hirsch, Oda Becker e Mycle Scheneider, consultores especializados em energia nuclear que colaboraram, entre outras instituições, com a Agência Internacional de Energia (AIE) e com o governo federal austríaco.

Agencia Estado,

25 de abril de 2005 | 12h46

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