Ritmo menor é tendência nos últimos cinco anos

A diminuição no ritmo de desmatamento nas regiões Sul e Sudeste é um fenômeno dos últimos cinco anos e um reflexo da legislação de proteção da Mata Atlântica - principalmente o Decreto 750, de 1993 - e da atuação das organizações não-governamentais, como a Rede de ONGs da Mata Atlântica, também criada em 1993. Essa é a opinião de Márcia Hirota, coordenadora de projetos da Fundação SOS Mata Atlântica.?Verificamos essa tendência no mapeamento que fizemos de matas nativas ou em estado avançado de regeneração em Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro, entre 1995-2000. Um estudo do governo do Rio Grande do Sul traz os mesmos resultados para aquele estado. No final do ano, estaremos finalizando o mapeamento de vários estados, incluindo também as florestas em estado médio de regeneração, que poderão indicar incremento de mata em algumas regiões?, explica.Segundo Márcia, o Rio de Janeiro perdeu 140 mil hectares (ha) de matas, entre 1990-1995, área que caiu para 3.800 ha no período 1995-2000. Santa Catarina teve perda de 62 mil ha entre 90-95 e de 42 mil entre 1995-2000. No Paraná, o desmatamento foi de 84.600 ha entre 90-95 e de 60.000 no período seguinte. ?A redução no ritmo de destruição no Paraná poderia ter sido ainda maior pois, do total desmatado, 17 mil ha foram de uma só área, em Rio Bonito Iguaçu, para fins de reforma agrária?.A coordenadora da SOS informa que os dados preliminares do mapeamento da entidade também indicam uma redução drástica no desmatamento em São Paulo, mas acha cedo para comemorar. ?Um ritmo menor de destruição e a regeneração de algumas áreas são um bom sinal, mas os levantamentos atuais não conseguem detectar os pequenos desmatamentos, de até 3 hectares, que é o maior problema da Mata Atlântica atualmente. Com mais de 60% da população brasileira vivendo em seu domínio, o ?efeito formiga? é muito preocupante. Por isso lutamos pelo desmatamento zero?.Outro motivo de preocupação, para Márcia, é o fato dos esforços de conservação, incluindo os financiamentos, estarem voltados principalmente para o litoral, onde a vegetação é mais preservada. ?O oeste de Santa Catarina, Paraná e São Paulo possuem muito poucos remanescentes importantes, como o Parque Nacional do Iguaçu ou o Pontal do Paranapanema. Na maior parte dessas regiões, quase não existem unidades de conservação e as propriedades não possuem reserva legal nem área de proteção permanente, essenciais para garantir a qualidade ambiental da área?.

Agencia Estado,

15 de outubro de 2002 | 14h33

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