Ruralistas usam relatório da FAO para pressionar Senado

O relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) em favor dos transgênicos provocou reação imediata no Congresso. A bancada ruralista quer mudar o projeto da Lei de Biossegurança, que tramita no Senado.A proposta é que volte a valer o relatório do então deputado Aldo Rebelo, no qual o parecer da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança tem poder vinculante, tanto para permitir pesquisas quanto a venda dos produtos."Mudou tudo"A proposta será apresentada nesta quarta-feira numa reunião de integrantes da Comissão de Agricultura da Câmara, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, e Rebelo, ministro da Coordenação Política.A mesma reivindicação será feita pelo Fórum Nacional de Secretários de Agricultura. "Tudo mudou. É um relatório que fundamenta todas as nossas reivindicações", disse o deputado Leonardo Vilela (PP-GO)."Não leram"Não é o que pensa o secretário de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco. "Só quem não leu o documento pode falar isso. O relatório defende o aumento das pesquisas, a avaliação caso a caso." Ele disse ser favorável ao relatório de Renildo Calheiros (PCdoB-PE). "Vamos defender o projeto feito pelo governo."A posição da FAO foi bem recebida por pesquisadores. Primeiro, porque atestou a segurança dos produtos já liberados no mercado: soja, milho, canola e algodão. Segundo, porque faz um apelo para que essa tecnologia seja direcionada também para produtos da pequena agricultura - que é o que a maioria dos cientistas do setor público no Brasil tenta fazer.Mais pesquisasA maior parte dos transgênicos em desenvolvimento no País é voltada para a agricultura de subsistência, como feijão, mamão, batata, tomate, alface, maracujá e banana. "São culturas como essas que mais interessam ao Brasil", disse Daniel Moura, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. "Ou a gente faz essa pesquisa, ou ninguém vai fazer, não há interesse do setor privado.""Não se pode dizer que a tecnologia é segura porque não se sabe como o gene inserido interage com o DNA", rebateu a coordenadora da campanha de transgênicos do Greenpeace no Brasil Mariana Paoli. "Se isso traz dano colateral à saúde, não sabemos. Precisamos de mais pesquisas."

Agencia Estado,

19 de maio de 2004 | 10h47

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