Sabesp promete eliminar mau cheiro do Pinheiros até 2005

Uma avaliação da Segunda Etapa do Projeto Tietê, realizada pela Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), responsável pelas obras, estima que cerca de 300 milhões de litros de esgoto deixarão de ser despejados por dia nos rios e córregos da Bacia do Alto Tietê até 2005. Entre as conseqüências aparentes da conclusão desta etapa estão o fim do mau cheiro no Rio Pinheiros e a diminuição de 40 quilômetros do trecho do Rio Tietê sem oxigênio, que hoje vai até a Barragem do Rasgão e recuará até a Barragem de Pirapora.Antes da primeira etapa do Projeto, segundo Antonio Marsiglia Netto, diretor de produção e tecnologia do Projeto Tietê, a mancha de poluição chegava até Barra Bonita e recuou 120 quilômetros. Para a população da Região Metropolitana, porém, essa diminuição não foi ?visível? . Iniciadas no ano passado, as obras desta fase incluem o término da construção de interceptores no Rio Pinheiros (tubos de grandes diâmetros que recebem os esgotos dos coletores antes que cheguem ao rio), além de 1,2 mil quilômetros de redes coletoras e 290 mil ligações domésticas de esgoto. ?Para que se atinja essa meta, porém, é preciso que a população faça sua parte, solicitando a ligação ao ramal?, diz Marsiglia. Quando a rede coletora é instalada em uma determinada rua, os moradores são avisados e têm um prazo para pedir a ligação gratuita ao ramal. A partir daí, passam a pagar pelo esgoto coletado (calculado conforme o consumo de água). Conforme o diretor do Projeto Tietê, a Sabesp avisa que o serviço está disponível, mas não tem poder de polícia para forçar as ligações. ?No município de São Paulo, existe uma lei obrigando a ligação à rede de esgoto, mas nem todas as cidades têm legislação sobre o assunto. A Secretaria Estadual de Saúde, no entanto, também pode ser acionada e fiscalizar?, explica.Segundo Marsiglia, com a terceira etapa do Projeto Tietê, prevista para começar em 2007 e terminar em 2010, apenas o trecho central de São Paulo, de Guarulhos até o encontro com o Pinheiros, terá falta total de oxigenação. ?Ainda não teremos solução para os esgotos de Guarulhos, que dependem de obras municipais e de interceptores que só começarão a ser construídos na terceira etapa, e na foz do Tamanduateí, que também continuará poluído.? O diretor do Projeto Tietê destaca ainda que, cerca de um terço da sujeira que chega atualmente à Bacia é poluição difusa, ou seja, lixo jogados nos rios e córregos ou nas galerias pluviais das cidades. Os resultados concretos das obras estarão sendo monitorados pela população, através do Observando O Tietê, programa da Fundação SOS Mata Atlântica, que atualmente é o componente oficial de educação ambiental e mobilização social do Projeto Tietê. Atualmente, já estão atuando 220 grupos (na maior parte formados por alunos de escolas), que monitoram a água do Alto e Médio Tietê duas vezes ao mês. A meta é atingir 300 grupos, que utilizam um kit de monitamento para medir os principais indicadores de qualidade da água. ?Embora a meta estimada pela Sabesp, de acabar com o odor do Pinheiros até 2005, não seja algo que se possa medir cientificamente, é um indicador importante da qualidade da água para a população. No Médio Tietê, várias comunidades deixaram de realizar festas, que aconteciam nas margens do rio, por causa do mau cheiro. Algumas dessas festas já voltaram a acontecer?, conta Fabrizio Violini, coordenador dos grupos do Observando.

Agencia Estado,

19 de agosto de 2003 | 15h53

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