Sabesp quer aumentar consumo de água de reuso

O programa de incentivo ao uso de água de reuso de estações de tratamento de esgoto (ETEs) da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) chegou à ETE Parque Novo Mundo, na zona norte da Capital. ?Estamos oferecendo ao mercado uma água de qualidade equivalente à que já está disponível nas ETEs do ABC e Barueri e um novo tipo, com uma filtração maior, que poderá ampliar o leque de interessados?, disse Geraldo Julião dos Santos, superintendente da Unidades de Negócios de Tratamento de Esgotos da Sabesp.Santos apresentou o programa, hoje, durante o seminário Água de Reuso da Estação de Tratamento de Esgotos Parque Novo Mundo - Oportunidades de Negócios, realizado na sede da NTC (Associação Nacional das Transportadoras de Carga), na Vila Maria. ?Nesta região, está grande parte das sedes de transportadoras e a NTC está nos ajudando a levar o conceito de uso de água de reuso para esse setor, principal público-alvo da ETE Parque Novo Mundo?, explica.A água de reuso é proveniente do processo de tratamento de esgotos e pode ser aproveitada para fins não-potáveis, com preços inferiores aos da água tratada. É uma água livre de organismos patogênicos, que normalmente é devolvida aos rios, mas pode ser filtrada para vários tipos de uso, como limpeza pública, combate a incêndios, paisagismo (para encher lagos artificiais e irrigação de áreas verdes), refrigeração de equipamentos e até como matéria-prima para a produção, em setores como o têxtil e o de papel e celulose. No caso das transportadoras, pode ser utilizado, principalmente, para a lavagem de caminhões.?Estamos realizando uma pesquisa num raio de 5 quilômetros da ETE, para avaliar o potencial de mercado, o que ainda não foi concluído. Um das idéias já formatadas junto com a NTC é a criação de dois grandes lava-rápidos de caminhões, junto às ETEs Parque Novo Mundo e Barueri (que fica próxima ao Rodoanel)?, conta Santos. Atualmente, a Sabesp fornece água de reuso para as prefeituras de São Caetano do Sul, Barueri e Carapicuíba, além da empresa Coats Corrente, na Capital. Também estão quase concluídas as negociações para o fornecimento à prefeitura de Santo André.Primeira empresa pública de saneamento no Brasil a oferecer água de reuso, a Sabesp passou a apostar nesse potencial a partir de 1998, quando dobrou sua capacidade de tratamento de água. ?Além da oferta de um novo produto, esperamos diminuir investimentos futuros em expansão da rede de tratamento de água potável, que deixará de ser usada para fins onde não é necessária?, explica o superintendente.Para as empresas, a maior vantagem é o custo. A água de reuso normal é fornecida pela Sabesp por R$ 0,30 o metro cúbico (m3) e a com maior filtragem - disponível somente na Parque Novo Mundo - a pouco mais de R$ 0,40 o m3. O preço normal para grandes consumidores industriais (acima de 50 m3 por mês) é de R$ 5,84 o m3. ?Mesmo as indústrias que retiram a água de córregos ou poços, sabem que essas fontes estão se exaurindo na Grande São Paulo e terão que encontrar novas alternativas. Nas ETEs, jamais haverá falta d?água?, garante Santos. Pólo industrialApostando nessa tendência, o maior projeto atualmente em andamento pela Divisão de Negócios da Sabesp é uma parceria com a prefeitura de Barueri para a criação de um pólo industrial na cidade, em um terreno municipal de 250 mil m2 vizinho à estação de tratamento. ?Estamos estudando um plano de ocupação para essa área, com incentivo para empresas que usariam esse insumo. Além da água de reuso, as indústrias poderão contar com gás, fornecido pela Congás, e com a proximidade do Rodoanel. É uma situação inédita no país?, diz. Com um volume de 8 m3/s (metros cúbicos por segundo), a ETE Barueri é a maior estação de tratamento de esgotos do Hemisfério Sul.Em parceria com a prefeitura de São Caetano, primeira a apostar na água de reuso para limpeza pública, a Sabesp estuda a construção de uma rede para abastecer empresas instaladas no município. Segundo Santos, a General Motors já está estudando a qualidade da água de reuso fornecida pela ETE ABC.Luiz Antônio de Mello Awazu, diretor da Fiesp, acredita que a utilização de água de reuso deve ser uma opção econômica da empresa, mas também de diferenciação competitiva e de responsabilidade social. ?Para isso, é preciso que haja uma normatização das aplicações e restrições, com garantia de fiscalização, pois estamos em um país onde se adultera gasolina e precisamos ter garantias de que essa água não será usada para fins aos quais não é própria. Além disso, é preciso determinar os padrões de custos e tributos, garantir infra-estrutura e regularidade do fornecimento e um planejamento de incentivos para empresas âncoras, ou seja, aquelas em que a água pesa nos custos?, disse.

Agencia Estado,

14 de março de 2002 | 13h32

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