Safra gaúcha transgênica será comercializada, afirma analista

A safra de soja do Rio Grande do Sul, estimada este ano em 8,5 milhões de toneladas, é transgênica. Segundo o diretor-analista da Corretora Brasoja, Antônio Sartori, apenas 5% da soja gaúcha é comercializada como livre de transgênicos, mediante certificação."Os 95% restantes são depositados em silos comuns, e o Estado não tem estrutura estática que permita fazer uma segregação. Qualquer análise de amostras destes 95% não-certificados da safra indicará que o produto é geneticamente modificado", afirma o analista.E os agentes de mercado que operam com a soja gaúcha não demonstram qualquer preocupação com a comercialização da safra que está por sercolhida, segundo ele. "A safra será comercializada, sem sombra de dúvida. A hipótesede exportar todo o volume transgênico é inviável, e só pode ser concebida por alguémque não tem o mínimo conhecimento sobre o funcionamento do mercado", avaliaSartori."Esta polêmica que mistura ideologia e tecnologia só existe no Brasil. Não há nenhuma diferenciação entre soja convencional e transgênica no mercado internacional, nem na China que planta, industrializa, consome e importa soja transgênica", diz. O analista ressalta que também a União Européia não diferencia o produto em suasimportações, adquirindo soja tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos e da Argentina."Não há nenhum fato novo, apenas mais uma discussão no governo, que pode estarperdendo tempo com uma questão absolutamente irreversível", conclui.

Agencia Estado,

07 de março de 2003 | 16h09

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