EFE / EPA / JIJI / GUILLEN / DI MEO JAPAN
EFE / EPA / JIJI / GUILLEN / DI MEO JAPAN

Saiba quem são os vencedores do Prêmio Nobel de Física de 2021

Syukuro Manabe e Klaus Hasselmann levaram uma metade do prêmio por seus estudos sobre mudanças climáticas. A outra metade ficou com Giorgio Parisi por suas contribuições à teoria de materiais desordenados e processos aleatórios

Mariana Hallal, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2021 | 13h47
Atualizado 07 de outubro de 2021 | 11h32

Nobel de Física de 2021 premiou três cientistas que se dedicam ao estudo de sistemas complexos, entre eles o clima e suas mudanças. O nipo-americano Syukuro Manabe e ao alemão Klaus Hasselmann levaram uma metade da premiação por seus estudos sobre o clima da Terra e as influências que a humanidade exerce sobre ele. A outra metade ficou com o italiano Giorgio Parisi por suas contribuições revolucionárias à teoria de materiais desordenados e processos aleatórios, o que também contribui para as pesquisas sobre o aquecimento global.

Essa é a terceira vez que os efeitos de ações do homem sobre o meio ambiente estão no foco de um Prêmio Nobel nos últimos 26 anos. Em 1995, Paul Crutzen, Mario Molina e Sherwood Rowland dividiram o prêmio de Química por seus estudos sobre a decomposição do ozônio. Em 2007, o prêmio da Paz foi entregue ao integrante do Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças Climáticas e ao ex-vice-presidente dos Estados Unidos Albert Al Gore por seus esforços para disseminar conhecimento acerca das mudanças climáticas.

Os vencedores falaram com a imprensa internacional sobre o prêmio. Hasselmann, diretor emérito do Instituto Max-Planck de Meteorologia em Hamburgo, disse à Reuters de sua casa que não queria acordar do que descreveu como um lindo sonho. "Sou aposentado, sabe, e tenho estado um pouco preguiçoso ultimamente. Estou feliz com a homenagem. A pesquisa continua", disse ele.

Manabe falou à emissora japonesa NHK  que seu prêmio foi um "acúmulo de sorte". "No contexto da Guerra Fria, os Estados Unidos da década de 1960 estavam dedicando um enorme esforço à pesquisa científica", disse em entrevista após saber de seu prêmio. "Ser convidado para a América foi minha sorte, o rápido desenvolvimento em calculadoras eletrônicas também foi minha sorte e, portanto, com um acúmulo de boa sorte, estou aqui hoje."

Parisi falou com a imprensa durante a coletiva de imprensa de anúncio dos vencedores. Ele disse estar "muito feliz" por ser digno do Prêmio Nobel. "Embora eu realmente não esperasse (receber o prêmio), sabia que poderia ter uma chance, por isso estava com o telefone por perto", falou. O físico ainda mandou um recado aos líderes mundiais que participarão da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) no fim deste mês em Glasgow, Escócia. "Acho que é muito urgente que tomemos decisões reais e muito fortes para avançarmos", disse o laureado de 73 anos que trabalha na Universidade Sapienza de Roma.

Leia abaixo o perfil dos três vencedores do Prêmio Nobel de Física de 2021

Syukuro Manabe 

Syukuro Manabe nasceu na cidade de Shingu, no Japão, mas mudou-se para os Estados Unidos em 1958 e em 1975 naturalizou-se norte-americano. Nascido em 21 de setembro de 1931, ele é a quarta pessoa mais velha a receber um prêmio Nobel, aos 90 anos. Sua esposa é Nobuko Manabe, com quem é casado desde 1962.

Manabe conquistou o grau de doutor em Meteorologia em 1958 na Universidade de Tóquio, onde também cursou a graduação e o mestrado. No mesmo ano, passou a exercer o cargo de pesquisador em meteorologia na Agência Meteorológica dos Estados Unidos. Em 1963, ele foi trabalhar no Laboratório Geofísico de Dinâmica dos Fluidos do Escritório de Pesquisa Oceânica e Atmosférica no mesmo país.

Em 1997, Manabe voltou ao Japão para trabalhar como diretor de um programa de pesquisa sobre aquecimento global no Centro de Pesquisa para Mudanças Globais. Cinco anos depois, em 2002, mudou-se novamente para os Estados Unidos para trabalhar como pesquisador visitante na Universidade de Princeton. No mesmo ano, ele virou consultor da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha e da Terra. 

Atualmente, Manabe é meteorologista sênior do Programa de Ciências Atmosféricas e Oceânicas da universidade. Além de Princeton, ele deu aulas como professor visitante no Instituto de Geofísica da Universidade de Tóquio e na Escola de Ciências Ambientais da Universidade de Nagoya. 

Manabe é pioneiro no uso de computadores para simular mudanças climáticas globais e variações naturais do clima. Ele é membro da Academia Nacional de Ciências (EUA) e membro estrangeiro da Academia Europeia, Sociedade Real do Canadá e da Academia Japonesa. Também é membro honorário da Sociedade Americana de Meteorologia, Sociedade Japonesa de Meteorologia, Sociedade Real de Meteorologia, União Geofísica Americana e Associação Americana para o Avanço da Ciência.

Além do Nobel, já foi reconhecido com os prêmios Blue Planet (1992), Asahi (1995), Volvo Environment (1997), Medalha Benjamin Franklin (2015), Frontiers of Knowledge (2016) e Crafoord (2018). As informações são da organização Interacademies e do currículo de Manabe divulgado pela Universidade de Princeton.

Klauss Hasselmann

Klauss Hasselmann nasceu em Hamburgo, na Alemanha, em 25 de outubro de 1931. Assim como Manabe, é uma das cinco pessoas mais velhas a ganhar o prêmio Nobel. Ele passou a infância e a adolescência na Inglaterra e retornou à Alemanha em 1949 prestes a completar 18 anos. Hasselmann é casado com Susanne Barthe desde 1957, com quem tem três filhos e nove netos.

Em 1955, graduou-se em Física e Matemática na Universidade de Hamburgo. No mesmo ano, começou a estudar Física e Dinâmica dos Fluidos na Universidade de Göttingen, onde conquistou o grau de doutor em 1957.

Hasselmann continuou a carreira acadêmica na Universidade de Hamburgo, onde trabalhou como assistente de pesquisa no Instituto da Arquitetura Naval (1957 - 1961) e professor (1966 - 1975, com períodos de licença). Também foi professor assistente e associado no Instituto para Geofísica e Física Planetária da Califórnia, em La Jolla, Estados Unidos.

Em 1975, assumiu a direção do Instituto Max-Planck de Meteorologia, em Hamburgo, onde ficou até 1999. De 1988 a 1999 ele também atuou como diretor científico do Centro Alemão de Computação Climática. Atualmente, é diretor emérito do Instituto Max-Planck. 

Hasselmann é membro da Academia Europeia de Ciências e Artes, da Sociedade Meteorológica Alemã, da membro da Sociedade de Matemática Aplicada e Mecânica (Alemanha), da União Americana de Geofísica, membro estrangeiro da Academia Real Sueca, membro honorário da União Europeia de Geociências e associado honorário à Sociedade Real Meteorológica.

Além do Nobel, ganhou outros prêmios como Frontiers of Knowledge (2010), o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de East Anglia (2000) e a medalha Vilhelm Bjerknes da Sociedade Europeia de Geofísica (2002). As informações são do Instituto Max-Planck de Meteorologia.

Giorgio Parisi

Giorgio Parisi nasceu em Roma, na Itália, em 4 de agosto de 1948. Ele é casado e tem dois filhos. Graduado em Física na Universidade de Roma em 1970, trabalhou como pesquisador no Laboratório Nacional de Frascati de 1971 a 1981. Nesse período, passou um tempo fora do país e esteve na Universidade de Columbia, em Nova York (1973 - 1974), no Instituto dos Altos Estudos Científicos, em Paris (1979-1977), e na Escola Normal Superior, em Paris (1977-1978).

Em 1981, Parisi assumiu o cargo de professor titular na Universidade de Roma. Entre 1981 e 1992, foi professor titular de Física Teórica na Universidade de Roma II e atualmente é professor de Teorias Quânticas na Universidade de Roma I, La Sapienza. 

Ele é membro da Academia dei Lincei (Itália), Academia dei Quaranta (Itália), Academia de Ciências (França), Academia Nacional de Ciências (Estados Unidos, Academia Europeia e Sociedade Filosófica Americana. 

Além do nobel, recebeu o prêmio Feltrinelli de Física da Academia dei Lincei (1986), medalha Boltzmann (1992), prêmio Italgas (1993), medalha e prêmio Dirac (1999), prêmio do Primeiro Ministro italiano (2002), prêmio Enrico Fermi (2003), prêmio Dannie Heineman (2005), prêmio Nonino (2005) e o prêmio Galileo (2006). As informações são do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália. /COM INFORMAÇÕES DA REUTERS E EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.