Damon Winter/NYT - 11/03/18
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Fernando Reinach
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Salamandras voadoras são descobertas por cientistas

Com 13 centímetros de comprimento, 'Aneides vagrans' vivem na copa das árvores mais altas do mundo no norte da Califórnia

Fernando Reinach*, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2022 | 05h00

Agora os cientistas descobriram uma salamandra capaz de voar por curtas distâncias. Salamandras parecem lagartixas, tem um corpo alongado, quatro patas e um longo rabo. Mas não são répteis como as lagartixas, mas sim anfíbios, como os sapos e as rãs. A Aneides vagrans vive na copa das árvores mais altas do mundo no norte da Califórnia. Ela tem 13 centímetros de comprimento e, por não possuir pulmões, respira pela pele. Por isso só sobrevive em florestas muito úmidas.

Faz tempo que cientistas que se aventuram no topo de árvores de mais de 40 metros de altura observam que, quando tocadas, não fogem correndo pelos galhos da árvore: elas simplesmente se atiram lá de cima. Esse comportamento aparentemente arriscado estimulou os cientistas e estudar o salto dessas salamandras.

Um grupo de cinco salamandras foi capturado e levado para o laboratório. Elas foram estimuladas a saltar de um galho colocado sobre um túnel de vento vertical. Esse equipamento é basicamente um tubo com um ventilador na ponta de baixo. O ventilador pode ser regulado de modo forçar o ar para cima na mesma velocidade com que a salamandra cai. Assim é possível saber a velocidade da salamandra dependendo de como ela posiciona suas pernas e rabo. Como o tubo de vento vertical é feito de vidro, câmaras colocadas do lado de fora registraram os movimentos da salamandra durante a queda.

O que os cientistas observaram é que essa salamandra consegue controlar sua queda. Ela diminui a velocidade de queda em até 10% estendendo as quatro pernas, um efeito parecido com o obtido com um paraquedas. Além disso, consegue planar, se deslocando na direção horizontal durante a queda. Isso permite que ela dirija seu corpo em direção a outro tronco ou em direção a outra árvore. Após saltar, a salamandra consegue escolher onde vai pousar, reduz a velocidade da queda e controla sua trajetória, como saltador de asa delta.

A conclusão é de que essa salamandra desenvolveu a capacidade de controlar seu salto e consegue se movimentar de uma árvore para outra, usando voos curtos e controlados. Só nos resta dar as boas-vindas ao primeiro anfíbio a controlar parcialmente seu deslocamento pelo ar. A má noticia é que essa e muitas outras salamandras estão sob risco de extinção. Enquanto os cientistas tentam descobrir o que existe de lindo na natureza, outra parte da humanidade se dedica a destruir os ambientes onde esses animais vivem.

*É BIÓLOGO, PHD EM BIOLOGIA CELULAR E MOLECULAR PELA CORNELL UNIVERSITY E AUTOR DE A CHEGADA DO NOVO CORONAVÍRUS NO BRASILFOLHA DE LÓTUS, ESCORREGADOR DE MOSQUITO; E A LONGA MARCHA DOS GRILOS CANIBAIS

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