Salgadinho, bolo e biscoito terão menos sódio até 2014

Acordo do Ministério da Saúde com a indústria prevê metas de redução do componente, presente no sal, em mais sete categorias de alimentos

Karina Toledo, de O Estado de S. Paulo,

14 Dezembro 2011 | 00h25

SÃO PAULO - Metas para redução de sódio em mais sete categorias de alimentos industrializados até 2014 foram anunciadas na terça-feira, 13, pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Nesta nova fase do acordo voluntário firmado entre Ministério da Saúde e representantes da indústria de alimentos foram incluídos produtos populares entre crianças e adolescentes, como salgadinhos, bolos e biscoitos.

“Esse é o público para quem precisamos, desde já, fazer uma reeducação alimentar. É uma ação de prevenção”, afirmou Padilha. A iniciativa, explicou o ministro, faz parte da estratégia do governo para combater a mortalidade por doenças crônicas, como diabete, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares.

A primeira etapa do acordo, divulgada em abril, fixou metas para redução de sódio (um dos componentes do sal) em massas instantâneas, bisnaguinhas e pães de forma. Mas os valores foram considerados tímidos por entidades de defesa do consumidor e membros das sociedades de cardiologia, hipertensão e nefrologia, conforme informou o Estado no mês passado. Teriam, segundo eles, pouco impacto na redução da mortalidade.

“A maioria dos produtos que estão no mercado já atende às metas fixadas na primeira fase do acordo”, afirma Silvia Vignola, especialista em saúde pública e consultora do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). “Agora vamos estudar os produtos que fazem parte desta nova fase para ver se haverá mudanças significativas”, disse.

Alternativas. Mas a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) garante que até o final de 2012 serão 1.050 toneladas de sódio a menos nas prateleiras. Isso significa que os produtos terão 18,85% menos sódio. Até o final de 2014 serão 1.634 toneladas a menos – redução de 29,33% nos produtos.

Segundo a entidade, a indústria tem se esforçado para buscar alternativas para o sal. “Nesse primeiro momento reduzimos tudo que era possível sem ainda ter um substituto”, afirmou Edmundo Klotz, presidente da Abia. Além de melhorar o sabor, o ingrediente tem outras finalidades. É um importante conservante e um elo de ligação entre outros ingredientes.

Estudos apontam que o brasileiro consome, em média, cerca de 12g de sal por dia. Neste ano, o Brasil firmou um termo de compromisso com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) para baixar esse número para 5g até 2012.

Estima-se que isso significaria queda de 6% a 14% na mortalidade por derrame e de 4% a 9% na mortalidade por enfarte. Todos os anos, 315 mil brasileiros morrem em decorrência de doenças cardiovasculares, que têm a hipertensão como um dos principais fatores de risco.

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