Saneamento deve ter controle social

A solução dos problemas de falta de saneamento básico nos países pobres passa pela adoção de tecnologias simples e pelo controle social sobre os sistemas de tratamento de esgoto adotados. Essa foi a conclusão do painel sobre inovações tecnológicas para o saneamento das águas, realizado hoje, no quarto dia de debates do Fórum Social das Águas, que acontece até domingo, em Cotia, São Paulo.Segundo o pesquisador boliviano José Francisco Mendia, apenas 10% das águas usadas na América Latina vão para estações de tratamento, principalmente porque os sistemas adotados costumam ser caros e de operação complicada. "A utilização de tanques de estabilização poderia resolver o problema, principalmente nas regiões pobres e rurais do Continente", disse. "O sistema, que consiste na construção de três lagos de decantação, pode ser construído e operado pela própria comunidade desses locais, onde estão os piores, índices de saneamento".O vereador de Alfenas (MG) Luiz Antônio Silva (PT), ativista ambiental na região do Lago de Furnas, disse que a população precisa cobrar os sistemas de saneamento dos políticos locais, que estão mais próximos do problema. "Além disso, os municípios são os responsáveis legais pelo serviço", disse. "Normalmente, porém, o que acontece é que grandes empresas de água vendem sistemas de abastecimento e tratamento de esgoto às prefeituras, que acabam não funcionando a contento". Segundo ele, "quando o serviço é realizado pelo Estado, a comunidade não tem o menor controle do que está acontecendo".A conseqüência disso, para Silva, é a situação da região do Lago de Furnas, onde vivem 800 mil pessoas e apenas dois dos 34 municípios possuem tratamento de esgoto e nenhum deles conta com aterro de lixo controlado. "Em Alfenas, o contrato entre a prefeitura e a empresa estatal de saneamento está sendo renovado por mais 30 anos. No entanto, conseguimos brecar o projeto na Câmara de Vereadores, para garantir maior controle social sobre o processo".Na mesma linha, o ambientalista Carlos Marcondes Cabral, do Instituto Águas do Prata (IAP), de Campos do Jordão, São Paulo, acredita que o tratamento de esgoto deve ser tema prioritário dos planos diretores municipais e uma exigência da população.

Agencia Estado,

20 de março de 2003 | 18h03

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